Fanfics sobre Xena a Princesa Guerreira

    O rumor começou como todos os bons rumores: com uma ninfa entediada, um sátiro fofoqueiro e uma deusa que definitivamente não sabia guardar segredo. E assim, como um incêndio em palha seca, a fofoca correu por florestas, templos e até mesmo pelos bacanais de Roma.

    Mas o rumor não parecia engraçado desta vez. Ele chegou até Xena e Gabrielle carregado de um peso estranho, não apenas fofoca, mas o tipo de história que normalmente precedia desastres.

    -Você acredita nisso? -perguntou Gabrielle, segurando o pergaminho com a informação recém-chegada.

    Xena não respondeu de imediato. Mas acabou suspirando após ruminar o pensamento por alguns instantes.

    -Eu acredito que quando Afrodite está envolvida em algo improvável… geralmente termina mal.

    Afrodite surgiu em um brilho rosa cintilante, sorridente como sempre.

    -Oi, garotas! Vocês me chamaram? Eu estava ocupada organizando uma chuva de pétalas em Chipre, mas vocês sempre vêm primeiro.

    Ela parou ao ver as expressões das duas.

    -Ok… isso é uma intervenção?

    -Existe um boato circulando por aí. – Xena foi direta.

    -E nós precisamos esclarecer se isso é verdade. – completou Gabrielle.

    -Boato? Sobre mim? Eu estou chocada. Ultrajada. Ofendida. Eu sou uma deusa respeitável!

    Xena ergueu uma sobrancelha.

    – Tudo bem, nem eu mesma acredito nisso – riu a deusa. – Mas afinal, o que é que está pegando…Ou quem.

    -Afrodite… Não encare isso como ofensa, a gente só precisa ter certeza de que não é verdade, mas você e… Alti. Existe algo acontecendo?

    Afrodite congelou.

    O quê?! Não! Absolutamente não! Isso é ridículo! Eu jamais me envolveria com aquela… aquela… nuvem de energia sombria com tendências assustadoras! Pelo mármore do Olimpo… Eu? Com Alti? Aquela… aquela… energia negativa ambulante?! Aquela vibe de caverna úmida e pesadelos recorrentes e… úmidos?!

    Gabrielle cruzou os braços e pigarreou.

    -Então não tem nada acontecendo? – disse Xena com uma sobrancelha erguida.

    – Claro que não! – Afrodite cruzou os braços, indignada. – Eu tenho padrões. Eu sou amor, paixão, romance, pétalas de rosa! Ela é… ossos, sombras e… sei lá, poeira espiritual! Nada! Zero! Nenhuma coisinha! Nem um pensamento! Nem uma curiosidade! Nem uma coceirinha, nem…

    Ela parou.

    Xena estreitou os olhos.

    -Nem …?

    Afrodite tossiu.

    -Nem um… breve questionamento filosófico. Só isso.

    Silêncio.

    Gabrielle inclinou a cabeça.

    -Filosófico?

    -Tipo… -Afrodite gesticulou – “e se o amor pudesse transformar até alguém completamente horrível?” Mas isso é só teoria! Coisa de deusa! Eu penso nessas coisas o tempo todo!

    – Claro – disse Xena, seca. – E quantas dessas teorias já acabaram em desastre?

    Afrodite fez uma careta.

    -Ok, rude.

    Gabrielle interveio, mais suave:

    – Afrodite… quando você se envolveu com Calígula…

    – Eu estava completamente fora de mim! – interrompeu Afrodite imediatamente. – Aquilo foi um erro monumental! Eu não sei o que eu vi nele. Sério, eu devia estar sob algum tipo de… eclipse emocional!

    Xena assentiu.

    -E mesmo assim aconteceu.

    -E terminou péssimo! – completou Afrodite. – Péssimo mesmo! Horroroso! Nunca mais faço isso. Não recomendo.

    Pausa.

    -Isso, o que exatamente? – perguntou Gabrielle.

    Afrodite piscou.

    -Me envolver com… pessoas complicadas.

    Xena ergueu uma sobrancelha.

    -Alti não é “complicada”. Ela é cruel e implacável, muito mais do que eu mesma já fui um dia.

    -Quer dizer, sim, ela tem aquele olhar intenso… mas é tipo… intenso demais. Tipo “vou invadir sua mente e bagunçar tudo”. Nada atraente. Nem um pouco.

    Ela parou de novo.

    -E aquela voz dela? – continuou Afrodite. – Toda baixa, misteriosa, áspera… – ela fez uma imitação surpreendentemente boa -“Afrodite…” – e então parou abruptamente. – Quer dizer! Creepy! Totalmente creepy!

    Xena deu um meio sorriso levemente irônico.

    – Você parece ter pensado bastante nisso.

    – Não pensei! — rebateu Afrodite rapidamente. – Quer dizer, só o suficiente pra perceber o quanto é… errado. Completamente errado. Tipo… opostos que não se atraem. De jeito nenhum. Nunca.

    Afrodite cruzou os braços, olhando para o lado.

    Xena soltou um suspiro baixo.

    -Isso vai dar problema.

    – Muito problema – reforçou Gabrielle.

    -Eu não disse que vou fazer nada! – retrucou Afrodite. – Só estou dizendo que… talvez… hipoteticamente… exista uma possibilidade de…

    Um brilho vermelho cortou o ar.

    -NÃO. Nem em um milênio, não ouse pensar nisso!

    Ares surgiu abruptamente, visivelmente perturbado.

    – Não, não, não, não. Eu ouvi isso de longe e precisei vir confirmar que era uma piada. Isso é uma piada, certo?

    Afrodite arregalou os olhos.

    -O que você está fazendo aqui?!

    – Tentando impedir o maior erro cósmico desde… bem, desde várias coisas – respondeu Ares. – Você e Alti? Isso não é um casal, isso é o início de um apocalipse temático.

    Gabrielle cruzou os braços.

    – Obrigada por confirmar.

    Ares apontou para Afrodite.

    – Eu sou o deus da guerra. Eu incentivo caos, destruição, escolhas ruins… é praticamente meu currículo. E até EU estou dizendo: não faça isso.

    Afrodite ficou ofendida.

    – Ei!

    – Sério – continuou Ares. – Eu não conseguiria “mudar” Alti. Ninguém consegue. Ela não quer ser mudada. Ela quer dominar, manipular e, se sobrar tempo, incendiar o mundo para ver todo mundo morrer queimado e agonizando.

    Xena assentiu.

    – Exatamente.

    Afrodite olhou de um para o outro, irritada.

    – Vocês estão exagerando!

    – Estamos sendo otimistas – disse Xena. – O cenário pessimista envolve você ajudando, sem querer, em algum plano de dominação mundial.

    – Ou começando um cataclisma – acrescentou Gabrielle.

    -Ou os dois – completou Ares.

    Afrodite bufou.

    -Vocês realmente não têm fé no poder do amor?

    – Temos –  disse Gabrielle. – Só não temos fé no julgamento dele às vezes.

    Afrodite colocou a mão no peito, ofendida.

    – Ei!

    Xena manteve o olhar firme.

    -Afrodite… isso não é sobre romance. É sobre risco. Você já viu onde isso leva.

    Afrodite hesitou.

    – Eu só… – ela respirou fundo – eu só pensei que talvez… eu pudesse fazer diferença.

    Ares balançou a cabeça.

    – Você vai fazer diferença, sim. A diferença entre “situação controlada” e “caos absoluto”.

    Gabrielle não conseguiu evitar um pequeno sorriso.

    Afrodite revirou os olhos.

    – Ok, vocês já falaram. Eu já entendi. Nada de Alti. Sem ideias ruins. Sem projetos de redenção duvidosos.

    Pausa.

    – Provavelmente.

    Xena cruzou os braços.

    – “Provavelmente” não é tranquilizador.

    Afrodite deu um sorriso inocente demais.

    – Relaxa. Eu estou no controle.

    Os três a encararam em silêncio.

    Ares foi o primeiro a falar:

    – Isso nunca é uma boa frase.

    Afrodite suspirou.

    – Tá bom! Eu vou… pensar melhor.

    – Faça isso — disse Xena.

    Gabrielle assentiu.

    – Por favor.

    Ares balançou a cabeça  tediosamente, revirou os olhos e começou a desaparecer.

    – Eu vou ficar de olho. E, só avisando, se isso virar um plano maligno, eu não quero ser culpado por associação.

    Ele sumiu.

    Afrodite ficou ali por um momento, pensativa.

    – “Caos absoluto”… – murmurou. – Um pouco dramático, né?

    Ela fez uma pausa.

    – Embora… conhecendo a Alti…

    – Afrodite, eu já fiz escolhas ruins antes – começou Xena – E entenda isso como a mais sincera preocupação de alguém que gosta de você e te respeita. Nada de bom pode sair de Alti.

    – Eu sinto muito – disse Gabrielle abraçando a deusa amiga. – Mas tenho certeza que existe gente e … seres, muito mais interessantes.

    – Tudo bem, vocês estão certos. Já passou. Foi só uma ideia ruim, argh. Agora me deem licença – disse desaparecendo num brilho dourado.

    -Você acha que ela vai mesmo deixar isso pra lá? – perguntou Gabrielle receosa.

    -Dessa vez, eu acho que sim. Esperamos.

    De volta ao Olimpo, Afrodite respirou fundo… e, com um pequeno gesto, fez surgir uma única pétala de rosa negra na mão.

    Suspirou.

    – Ok, talvez só um pouquinho de caos.

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