Fanfics sobre Xena a Princesa Guerreira

    Uma das coisas que eu mais gosto nessa vida é poder contar sobre as vezes em que tive o prazer de andar por aí com uma guerreira e uma barda. Nem sempre a vida me presenteia com cenas divertidas, mas eu realmente gostei daquilo. Entenda você, a quem destino minha mensagem agora, que eu aprendi muito sobre mim através delas. E eu recebi algo que não sabia precisar. A mim é tudo muito fácil, eu achava que tinha muitas habilidades, mas a guerreira parecia igualmente filha de Hermes tanto quanto eu. Eu precisava passar por alguns territórios amazonas e seguia para Atenas, a jornada seria relativamente longa e eu pretendia atrasá-la mais do que o necessário porque não queria rever meu pai. Eu tenho alguns problemas com ele. Eu tenho metade do sangue de Hermes, mas a outra metade é muito humana, muito simples e muito revoltada com a parte divina. Não é fácil acordar um dia alegre e no outro querendo ser uma pequena lesma. Não é fácil poder atravessar fronteiras e ser extremamente rápido quando se quer só admirar a beleza dos pássaros e o vento batendo no seu rosto. E eu decidi que usaria toda minha energia humana para fazer coisas humanas e honrar o legado de minha mãe.

    E quando eu estava quase chegando no território amazona que eu ouvi a voz grave de uma mulher, me arrepiou a nuca, ela era alta, bela, forte, profundos olhos azuis e cabelo liso. Sua armadura era pesada, mas ela sequer parecia sentir o peso. Portava uma espada e um chakram. O chakram no entanto, parecia uma arma divina e mortais normalmente não portam armas divinas. Não é exatamente fácil um mortal portar uma arma de um deus. Seja lá qual deus for. Bom, pelo menos nós, gregos, temos algumas regras e a arma de um deus é a arma de um deus. E foi isso que atraiu minha atenção à primeira vista, a mulher belíssima poderia também partilhar da minha maldição. Ser uma herdeira. Meu olhar sempre foi muito ágil porque se alguém tivesse algo que poderia ser meu, eu tinha que analisar e travar minha mira, minha bênção (ou não) era o pensamento acelerado. E o que eu queria agora? Queria aquele chakram. Se eu puder pegá-lo, será meu? Ela me perguntou se eu ia para o território amazona e eu informei que ia para Atenas, mas que precisava atravessar o território de qualquer modo porque tinha uma encomenda para entregar lá. Sim, eu preciso dar um jeito de me virar porque meu pai não é muito responsável, então uso minha agilidade para realizar entregas diversas. As amazonas haviam pedido um certo tipo de mel que era produzido mais a oeste da península, de tribos mouras. 

    _ Sua entrega tem algum prazo? Precisa de ajuda? – me perguntou a barda. E foi aí que notei a barda. Mais franzina, porém forte, cabelo curto, armada também, não era uma barda comum. E parecia igualmente ágil de pensamento.

    _ Tenho prazo, mas acredito que dê tempo. Talvez eu chegue exatamente no tempo correto.

    _ É ? Se precisar, talvez minha amiga possa te ajudar a chegar antes com Argo. – Ela disse apontando para uma bela égua que acompanhava ambas. – Acredite você, ela é bem rápida.

    _ É mesmo? Será que é mais rápida que eu? – perguntei querendo medir força e saber onde eu estava me metendo. Bater papo nas estradas não é exatamente seguro e se eu precisasse fugir dessas duas queria saber se teria chance. A outra mulher só levantou uma sobrancelha e eu só conseguia ler que ela duvidava muito que eu ganhasse dela. E eu desafiei: _ Que tal uma aposta valendo 10 dinares?

    _ Que acha Gabrielle? – Disse a mulher de armadura.

    _ Acho que você anda muito brincalhona Xena. – Disse a barda.

    _ Acho que poderíamos tentar, 10 dinares não deve ser nada para vocês – tentei provocar e a mais alta respondeu: _ Se eu ganhar, uma criança de Hermes precisa apostar sua honestidade. Dez dinares é muito pouco. Se você ganhar, te protejo até Atenas, eu e Gabrielle.

    _ Não preciso de proteção nas estradas do meu pai.

    _ Tem certeza? Afinal, se seu pai fosse grande coisa você concordaria comigo que não haveríamos tantos senhores da guerra se metendo em assuntos gregos, não é?

    _ Isso é porque meu pai tem os seus preferidos. E como sabe que meu pai é Hermes?

    _ Você tem a mesma cara, jeito de andar e fala como ele.

    _ Conhece meu pai?
    _ Conheço muita gente… 

    _ Ela quase foi sua tia

    _ Gabrielle, nem me lembre, Ares fede.

    _ Vai dizer que não é verdade?

    _ Talvez, mas todo mundo tem suas vergonhas. Você também passou por isso e não foi interessante…

    Nisso eu via que as duas tinham uma longa história com os deuses, mas elas pareciam muito um casal e se alguém me pedisse informações, eu iria dizer que Xena, a guerreira, e Gabrielle, sua amiga barda, eram sim um casal e que Ares tinha ciúmes delas. Se me perguntassem, eu também diria que Atenas era a outra pessoa na relação, tudo pelas coisas que elas iam falando enquanto conversávamos e eu acabei deixando de lado a história da aposta. Primeiro que poderia ter problemas com Hermes e não estava com vontade de lidar com ele palestrando por duas semanas sobre meus erros. Hermes era assim, falava muito quando precisava e mais ainda quando não precisava. Quem gostava dele, chamava de diplomata, quem não gostava, de fofoqueiro. Antes de chegarmos no acampamento Amazona anoiteceu, eu me enrolei nas cobertas e observei as duas. Ao redor do fogo o olhar que trocavam, a mão delas… E eu precisava saber mais sobre tudo. 

    Então quando elas pegaram no sono eu simplesmente voei do acampamento, provavelmente Xena percebeu, nada me tira da cabeça que ela tem algum sangue divino, e é isso que eu vou tentar provar.

    Com isso, levantei e saí de fininho e com toda velocidade divina que herdei fui até Amphipolis, onde Xena nasceu. Me disfarcei e fui para a taverna local. E lá eu vi duas senhoras conversando, uma delas era a taberneira e foi justamente pra ela que pedi um copo da cerveja mais saborosa que ela tivesse. Ela me olhou de cima a baixo como se eu fosse uma criança, talvez meu rosto pueril e o corpo franzino não ajudassem muito nesse sentido. E pedi um pedaço de javali assado. Ela disse que logo traria e perguntou se eu estava acompanhada. Eu disse que não. Ela então comentou com a outra senhora que eu lembrava muito uma das filhas, mas não falou o nome. Então eu perguntei se ela conhecia Xena. Ela disse que conhecia, e perguntou por que eu queria saber. Falei que queria escrever louvores sobre a guerreira que ajudava desconhecidos nas estradas como filha de Hermes. A outra mulher faiscou seu olhar. Como se estivesse ofendida. E ela comentou: O pai de Xena era mortal, eu mesmo o matei. Falou isso colocando a cerveja na minha frente com tanta força que o líquido de dentro pingou pra fora do copo e ela sequer se importou de limpar. Acho que usei errado as palavras e precisava melhorar se eu quisesse que ela colaborasse.

    _ A senhora o matou? …mas…

    _ Ela é a mãe da Xena – disse a outra mulher com quem a taverneira conversava antes. 

    _ Senhora, mas ela carrega a arma de um deus e isso não é possível. A arma eu tenho certeza que é divina e tem regras e…

    _ O vagabundo do Ares deu pra ela. 

    _ Ele… mas isso não faz sentido

    _ Nada faz muito sentido quando se trata da Xena, criança, eu mesma já desisti de tentar entender. Mas Xena hoje anda no caminho do bem, não é mais cria de Ares.

    _ Ela era como filha de Ares?

    _ Mais como amante… infelizmente.

    A outra mulher que bebia com certo riso preso entre os lábios comentou:

    _ Sabe que ia ser engraçado se Xena fosse mesmo filha de um deus.

    _ Pois vocês deveriam tomar vergonha e esquecer esse assunto, pois eu mesma já esqueci.

    _ Mas Cyrene… – disse a outra mulher – você jura que ele era mortal e que você mesma o matou, mas e se no dia da concepção não fosse ele? Fosse algum deus fingindo ser ele?

    _ Eu nunca soube e sou inocente disso. Vocês estão me tirando do sério. Hécuba, o que tem nessa sua bebida?

    _ Hahahaha nada Cyrene, só o de sempre.

    _ Vá dormir, vá. Aproveite esses dias que você conseguiu finalmente longe daquele bronco.

    _ Até agora não sei como foi que consegui. Mas você precisará me ajudar com alguns pães e cerveja senão a desculpa não vai funcionar…

    _ Fica tranquila minha querida…

    Eu apurei as orelhas depois da última frase, eu tinha suspeitas sérias de que Gabrielle e Xena estavam em algum tipo de relação muito aquém da relação de amizade, sobretudo porque Xena era a conchinha de Gabrielle no acampamento. Mas que a MÃE de Xena também estava de rolo com outra senhora, essa ia para além das minhas ideias pré-concebidas… isso era genial.

    Com isso, virei para a outra senhora enquanto a taberneira, que agora eu sabia se chamar Cyrene foi atender outros clientes: _ É Hécuba, certo?

    _ Sim.

    _ Eu sei alguma coisa sobre regras dos deuses sabe Hécuba, é um detalhe aqui e outro ali, algumas regras eles tendem a não quebrar porque senão tudo seria mais complicado do que já é entre eles. E uma das regras é um deus pegar uma arma e dar sem motivação para um mortal. Quando Prometeus ganhou o fogo o próprio Prometeus ficou pagando pena eternamente tendo suas entranhas comidas. Xena está andando por aí com uma arma que eu tenho certeza que é de um imortal. Não é uma arma comum.

    _ Tudo isso é por causa da arma então né?

    _ Sim, claro que sim. É uma arma importante… ela não é perseguida?

    _ Criança, você nunca ouviu a fama de Xena antes?

    _ Honestamente, nunca registrei a informação porque não achava que nossos caminhos iriam se cruzar.

    A mulher petiscou um fruto seco em seu prato e olhou pra mim como se me avaliasse.

    _ Entenda, criança, algumas pessoas são importantes demais pra você ignorar a existência, Xena é uma dessas pessoas. Seja porque um dia seus caminhos vão se cruzar e as meninas vão mudar sua vida ou seja porque no passado, você carrega cicatrizes porque certa princesa guerreira marcou você e não de um jeito bom.

    _ É … faz sentido. Eu fico me perguntando que Deus poderia ser o pai de Xena, senão o próprio Hermes.

    _ Hermes?

    _ Veja bem, ela faz muitas coisas com maestria.

    _ Sim, concordo, mas você já viu Xena sendo hábil com a palavra escrita?

    _ Não… ela não escreve bem?

    _ A escritora lá é Gabrielle. Ela sempre foi muito melhor nisso, Xena não gosta sequer de ler se quer saber. Lê porque é obrigada. Teimosa demais para se dar ao trabalho. Diz que não tem tempo.

    _ Talvez Hefésto? Explicaria a arma…

    _ Deixe Cyrene te ouvir… – ela falou rindo. E Cyrene que chegava perto de nós naquele momento perguntou:

    _ Deixe Cyrene ouvir o quê exatamente?

    _ A criança aqui disse que Xena pode ser filha de Hefésto.

    _ Pelos deuses vocês duas! Eu já não…

    _ Disse sim, mas imagine que foi alguma travessura, você soube algo de que Hefésto fazia dessas? Algum dos sacerdotes dele te contou algo?

    _ Sacerdotes? Eu lá falo com essa gente Hécuba?

    _ É… talvez não. hahaha

    Eu que pensava em meus próximos passos percebi que não iria mais longe ali, agradeci, coloquei meu capuz e na força do vento voltei para o acampamento onde estavam Xena e Gabrielle dormindo. Claro que quando eu cheguei, Xena disse sem sequer se mexer muito da posição em que estava:

    _ Minha mãe estava bem?

    _ E como é que você sabe?

    _ O cheiro de cerveja… não qualquer cerveja, a cerveja de Amphipolis.

    _ … Xena, você já se perguntou se Hefésto é seu pai?

    _ Criança, você está em terreno pedregoso…

    _ Eu fiquei me perguntando isso e não consigo dormir por causa dessa pergunta.

    _ Não faço ideia e honestamente não me interessa, não quero ter nada com deus nenhum.

    _ Nem eu, mas as nossas maldições às vezes nos unem…

    _ Eu tenho um amigo que diz algo parecido. Mas é melhor você esquecer isso e tentar dormir.

    E é claro que eu não dormi. Permaneci os dias até a chegada no acampamento das amazonas com Xena e Gabrielle, nada nos aconteceu. Nada além de eu ver um grande amor entre as duas. Um grande amor mais digno do que qualquer amor entre qualquer deus. E honestamente, pra mim que conheço bem as regras, Xena é sim filha de Hefésto. E esse é meu resumo sobre meus dias com a Princesa de Hefésto.

    0 Comentário

    Digite seus detalhes ou entre com:
    Aviso! Seu comentário ficará invisível para outros convidados e assinantes (exceto para respostas), inclusive para você, após um período de tolerância. Mas se você enviar um endereço de e-mail e ativar o ícone de sino, receberá respostas até que as cancele.
    Nota