Fanfics sobre Xena a Princesa Guerreira

    Me desfiz do contato e fui até a cozinha. Pedi a Dália que separasse pães, frutas, queijo e leite, e levasse tudo até meus aposentos. Voltando ao quarto, pedi a um dos soldados que guardavam meu quarto que dissesse a Átrios, o mensageiro, que fosse ao meu escritório quando o sol estivesse em seu ponto mais alto.

    Entrei e acariciei os cabelos de Gabrielle. Ela acordou e olhou – me assustada.

    — Calma, menina, não lhe farei nada! Bom dia!

    — Bom dia, senhora… Xena? — disse, duvidosa, como se quisesse saber se ainda poderia me chamar pelo nome.

    Acenei afirmativamente, e ela sorriu.

    — Pedi a Dália que trouxesse nosso desjejum. Quero que comas comigo. Depois, pedirei a um mensageiro que encontre sua família para que volte para casa.

    — Não gostaria de voltar, senhora. Queria poder trabalhar para ti. Sei que não tenho força nem a experiência das outras, mas sei cozinhar. Posso aprender outras coisas, mas não gostaria de voltar para minha família, senhora.

    Vi lágrimas começarem a sair de seus olhos.

    — Por quê, Gabrielle? Por que não queres voltar para sua família?

    — Porque fui vendida, senhora. Eu menti. Não fui buscar água quando Dracus me levou. Meu pai me vendeu, pois tinha dívidas com comerciantes, e havia outros homens de quem pegava dinares emprestados. Já não tinha como pagar. Quando viu Dracus passar perto de nosso vilarejo, ele vinha da taberna e tratou com ele, e me vendeu.

    — E por que resolveu dizer-me isso agora? — perguntei, irada.

    — Porque tive medo, senhora. Quando enviasse seu mensageiro, descobriria a verdade e, mesmo que me entregasse para meu pai, eu seria vendida de novo e talvez não encontrasse alguém que, como a senhora, não me violentasse da mesma forma que Dracus e aquele homem asqueroso, o qual quis me comprar, tentaram fazer.

    — E por que acha que, agora que descobri que mentiu para mim, vou ter a mesma consideração para com você? Não gosto de mentirosos, Gabrielle. O que fez lhe custa a vida, sabes disso? — perguntei calmamente à menina.

    — Não, senhora!

    Vi Gabrielle tremer quando Dália chegou com o desjejum.

    — Vamos comer. Depois vejo o que farei com você.

    Comemos silenciosamente. A menina estava pálida, como se houvesse visto uma assombração. Quase não comia e me olhava assustada.

    — O que é, Gabrielle? Tenho algo na face ou está encantada com minha beleza? — sorri maliciosamente.

    — Não, senhora. Estava pensando.

    — Em quê?

    — Que, se fui vendida, sou mesmo sua escrava e, se me matar, estará jogando fora uma mercadoria.

    — Tens razão quanto a isso, mas não achas que tenho bens o suficiente para me desfazer do que eu quiser?

    — Sim, senhora — disse tristemente. — Mas posso ser-lhe de alguma serventia.

    — Sim, mas ao que me serve, um foi mordido ao tentar e o outro te fez quebrar o braço. O que queres? Que lhe quebre o outro? — sorri novamente, desta vez ironicamente, erguendo uma das sobrancelhas.

    — Não, senhora. Mas pensei… É que sei escrever. Isso pode ser mais proveitoso que em sua cama!

    — Todavia, não será tão prazeroso. Além de que, como minha escrava, posso usá-la em minha cama e para qualquer outro fim — disse, vitoriosa.

    — É, tens toda razão, senhora — Gabrielle suspirou, olhando-me tristemente.

    — Bom, espero que seja a última vez que penses. Nem mesmo disse o que seria feito de ti e já me deste ideias que posso avaliar agora. Só farás o que eu lhe disser que faça. Podes ainda me chamar de Xena em particular e me servirás em meus aposentos. Não a tocarei… Por enquanto — disse, triunfante, enquanto Gabrielle deixava cair da mão um pequeno pedaço de pão. Não sei ao certo se porque se livrara de ser punida ou pela possibilidade de ser punida… em meu leito.

    — Agora termine de comer e venha para que o curandeiro veja seu braço.

    A verdade é que estava gostando da companhia daquela menina. Não a mataria, nem quis tê-la contra sua vontade. Gostaria de possuí-la, mas, se ela me quisesse, nem tampouco poderia deixá-la voltar para aquele animal que ela chamava de pai. Porém, tinha que fazer que soasse como punição, então deixei no ar a possibilidade de servir-me em minha cama.

    “XENA, VOCÊ ESTÁ MESMO AMOLECENDO? DEIXAR QUE UMA MENINA TE ENCANTE A PONTO DE LHE PERTENCER E VOCÊ NÃO A TOCAR?”

    (Cyrene)

    Anos antes

    Ouço batidas à porta de minha taberna. Havia acabado de fechar o estabelecimento.

    — Espera! Será que não vês que acabo de fechar? Não venderei mais nada hoje — gritava enquanto andava em direção à porta.

    Ao abrir, percebi que não havia ninguém ali, exceto… um pequeno ser envolto em peles. Apanhei-o do chão e, junto com ele, um pedaço de pergaminho com algumas palavras.

    “Sei que sou a última pessoa de quem esperas notícias, mas preciso de sua ajuda. Ao meu lado, ela não terá nenhuma chance. Será alvo de meus inimigos ou, pior, pode se tornar como eu, e certamente não desejo esta maldição nem mesmo para meu pior inimigo. Sei que estará em boas mãos. Chama-se Dylan. Não poderia confiá-la a mais ninguém.” Xena.

    Fiquei estática. Ao fechar a porta, meu filho Lyceus entrou na taberna, assustado com minha expressão.

    — Mãe! O que aconteceu? Quem era? — Lyceus perguntou, exasperado.

    — Ninguém.

    — Como assim, ninguém? Que bebê é esse?

    Entreguei a ele o bilhete de Xena e respondi:

    — Sua sobrinha.

    Entrei em meus aposentos e olhei a menininha que carregava com mais atenção. Tinha cabelos negros e expressivos olhos azuis. Era inegável que fosse mesmo minha neta, mas por que Xena quis que eu ficasse com essa menina? Não fiz um bom trabalho com a primeira. Não creio que vá acertar com a segunda.

    Definitivamente, não sou boa com meninas!

    — Então, Dylan, onde sua mãe estava com a cabeça quando resolveu deixá-la aqui em minha porta? — perguntei quando Lyceus apareceu em meu quarto.

    — Mãe, lamento desapontá-la, mas essa menininha não fala e, ainda que falasse, não creio que ela conheça os motivos de Xena mais do que nós.

    — Muito engraçado você! É claro que não esperava que ela respondesse, mas seria muito bom.

    — Bom? Eu sairia correndo! Ou, no mínimo, tentaria ganhar algum dinheiro com ela — disse meu filho, bem-humorado.

    — Lyceus, isso não é hora para brincadeira. Estamos com um problema aqui.

    — Se achas um problema agora, espera quando começar a parecer com a mãe. Se tiver o mesmo gênio, aí sim teremos problemas!

    — Pare de falar asneiras e vá providenciar leite. Não podemos deixá-la com fome!

    — Dona Cyrene, lamento lhe informar que não estou amamentando no momento.

    Lyceus saiu rindo e se esquivando de uma maçã que joguei em sua direção.

    Dias atuais

    — Dylan, venha! Vamos ao vilarejo comprar os preparativos de sua festinha!

    — Tá bom, bobó, eu tô indo.

    — Lyceus, cuide da taberna. Volto logo!

    — Podes deixar comigo. Ei, onde pensas que vais, mocinha? — perguntou Lyceus, levantando Dylan em seus braços.

    — Vou no vilalejo com a bobó.

    — Sei. E vai fazer o quê no “vilarejo”?

    — Vou poteger ela do soldadu!

    — É mesmo? E quem protege essa miniatura de três verões com uma espada de madeira?

    Lyceus a pôs no chão novamente.

    — Pára, tiu! E minha espada é boa!

    Dylan acertou a cabeça de Lyceus, depois veio correndo e rindo em minha direção.

    — Ah, sua pestinha! Eu te pego!

    — Bamos, bobó, o tiu tá blabo!

    — É mesmo? E por que será? — perguntei ironicamente.

    — Num sei! — ela respondeu cinicamente.

    — Está bem, mas já te disse que não quero você brincando com isso. Deixes essa espada aí!

    — Mas, bobó…

    — Não tem “mas”, nem meio “mas”. Deixes aí e vamos — disse firme.

    Dylan saiu pisando forte e com uma carinha tão irritada que precisei me segurar para não rir.

    — Sabe, Dy, com esse rostinho irritado não comprarei seu presente!

    — Não quero pesente! — respondeu entre dentes.

    — E seu bolo de nozes?

    — Num sei, bobó. Selá que a mamãe bai gotar desse bolo?

    — Olha, filha, já falamos sobre isso e não acho que sua mãe vai aparecer este verão.

    — …Mas, bobó, vou fager assim…

    Dylan segurou os dedos mínimo e polegar com uma das mãos, indicando que faria três verões.

    — …e você disse que cando eu fagesse assim, mamãe binha de novo!

    (Xena)

    Após o curandeiro verificar o braço de Gabrielle, pedi que Dália a orientasse sobre o que faria, a partir de hoje, nos cuidados de meus aposentos, de forma que não piorasse seu ferimento, e logo segui para meu escritório.

    — Gabrielle, Dália irá te instruir sobre suas funções no palácio. Preste bastante atenção e, se tiver dúvidas, esclareça com ela no mesmo instante. Não tolero erros.

    — Sim, senhora.

    — Gabrielle, em meus aposentos ainda podes me chamar por meu nome. Agora vou ao escritório. Quando terminares seus afazeres, aguarde-me aqui.

    — Sim, Xena!

    Deveria avaliar alguns casos relacionados à saúde das pessoas, decretar algumas sentenças. Em geral, coisas do meu dia a dia. Mas não conseguia me concentrar. Hoje Dylan completaria três verões, e sempre a visito nesta época sem que saibam. Porém, desta vez seria diferente. Descobri recentemente que tenho traidores em minha corte, acompanhando todos os meus passos, e não posso pôr a segurança e o sigilo da identidade de Dylan em risco.

    Tenho que desmascarar os traidores antes de vê-la novamente, mas não consigo parar de pensar na decepção de minha pequena quando se der conta de que não irei comparecer, após ter-lhe dito que iria.

    Desde o primeiro verão de Dylan, vou à Amphipolis para que a menina me conheça e saiba que não a rejeitei.

    Ouvi batidas à porta. Era Átrios, meu mensageiro. Pedi que entrasse.

    — Senhora Conquistadora!

    — Quero lhe falar. Tinha uma ordem a lhe dar hoje, mas mudei de ideia. Esteve em Amphipolis, como ordenei?

    — Sim, senhora.

    — E entregou a mensagem que lhe enviei?

    — Sim, senhora. E a taberneira pediu que lhe dissesse que “já esperava por esta notícia mais cedo ou mais tarde e que gostaria de estar errada”.

    — Eu também! — disse mais para mim mesma do que para ele.

    — O que disse, minha senhora?

    — Nada! Pode se retirar, Átrios.

    — Senhora!

    (Gabrielle)

    Dália me ensinou tudo o que precisava saber sobre os cuidados dos aposentos de Xena: preparar seu banho, vesti-la e servir suas refeições. Agora, esperava temerosa que minha senhora retornasse.

    — Gabrielle — Dália me chamou.

    — Sim?

    — Já terminou suas funções nos aposentos da Senhora Conquistadora?

    — Sim, Dália.

    — E posso saber o motivo de tanta aflição, menina?

    — Bem, é que… — senti-me enrubescer. — A Senhora Conquistadora deixou no ar algo sobre servir-lhe em sua cama e, bem… eu… não era escrava, sabe? Tenho medo!

    — Ah, menina, não sejas boba. Se Xena a quisesse desta maneira, já a teria tomado. Mas não deve se preocupar. Ela certamente se importa contigo, ou teria mandado Filemom lhe devolver assim que descobriu que eras fraca demais para os trabalhos na corte. Ainda assim, poderia servi-la em seus aposentos, mas a Conquistadora gosta de escravos domados, e tu não pareces ser boa em acatar ordens. Falas demais.

    Avaliei bem o que Dália havia me dito, mas a verdade é que eu tinha muito medo de que Xena me quisesse. Dália foi bem clara ao afirmar que, se ela me quisesse, já me teria tomado. Então, por que ela havia me dito que só não me tomaria… por enquanto? Será que só queria me assustar? Ou realmente quer me domar primeiro?

    Ao entardecer, fui à cozinha buscar o jantar da Conquistadora. Ainda no corredor dos aposentos de Xena, vejo Filemom. Este se aproxima.

    — Olá, pequena. Vejo que está servindo a Conquistadora. Aonde vais?

    — Irei buscar seu jantar.

    — Não fomos devidamente apresentados. Meu nome é Filemom. Como se chama, menina?

    — Ga… Gabrielle, senhor.

    Então, Filemom pegou uma de minhas mãos e levou-a aos lábios. Eu gelei. Neste mesmo instante, Xena saiu de seu escritório e se deparou com a cena.

    — Que merda pensas que está fazendo, Filemom? — gritou.

    — Senhora, eu… eu só cumprimentava cordialmente a senhorita! — disse Filemom, assustado.

    — Está louco, Filemom? É uma escrava. Minha escrava! E não quero que encostes novamente esses lábios imundos em nada que me pertença. Suma de minha frente, ou eu mesma o farei sumir!

    — Sim, senhora! Com sua licença, Conquistadora!

    — Sim, vá, vá logo antes que me arrependa — gritou.

    Eu estava congelada em meu lugar quando Xena me libertou de meu transe.

    — Gabrielle… Gabrielle! O que fazes parada aí, menina? Não disse que me esperasse em meus aposentos?

    — Sim, minha senhora. É que Dália disse que, ao entardecer, fosse buscar sua refeição, senhora. Fiz mal?

    — Não, Gabrielle. Se foi o que Dália lhe disse, pode ir e peça a ela porções dobradas.

    — Sim, minha senhora!

     

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