Cap 1
por Fator X - LegadoLá está ela. Belíssima como sempre. Atraente, elegante, maravilhosa. O meu tipo de mulher. Eu a vejo todos os dias da semana, ouço sua voz aveludada, sinto seu perfume. O que é uma tortura, para quem está apaixonada sem esperanças, como eu.
Não sou de jogar fora. Sou loura, olhos verdes, um corpo bem delineado pela malhação da academia, vinte e cinco anos. Mas sinto-me insignificante diante dela. Frances Nikodimou é tão linda e atraente, que pode ter quem quiser. E infelizmente para mim, ela não é gay. Tem um noivo que eu detesto e invejo, Alan Befford. Ele é insuportavelmente bonito e charmoso, mais parece um modelo de revista que um advogado. Então, que chances tenho, com ela sendo tão linda, hetero e noiva de um homem como Alan? Nenhuma, lógico!
Eu apenas posso olhar disfarçadamente para ela, quando está distraída, procurando não mostrar em meus olhos a minha paixão. Dependo do meu emprego para viver. E ela sendo a filha do meu patrão, é como se tivesse uma tarja no peito, anunciando em letras garrafais:
FRUTO PROIBIDO! CUIDADO, NÃO SE ATREVA!
O interfone tocou, interrompendo meus pensamentos. Eu o atendo com minha voz profissional:
-Nikodimou Corporation, boa tarde.
-Senhorita Letterman? Estou ligando para Frances, mas seu telefone toca e ninguém atende. Posso deixar um recado para minha noiva? Aqui é Alan Bedford.
Eu contenho a minha irritação ao ouvir ele dizer “minha noiva” e respondo com polidez:
-A senhorita Nikodimou está em uma reunião com clientes, na sala de reunião. Ela deve ter deixado seu celular em sua sala, por isso o telefone não responde. Pode deixar o recado que eu darei, senhor Bedford.
-Ok. Apenas diga que eu vou buscá-la aí no trabalho, para ela esperar-me, dentro de uma hora.
-Seu recado será dado, senhor Bedford.
-Obrigado – Disse ele, desligando.
Eu coloquei o fone no receptor e respirei fundo. Hoje eu iria ver ele sair com ela. Como sempre, abraçando-a possessivamente pelos ombros, ela com a mão na cintura dele. Como eu odiava essa visão! Eu sabia que não tinha o menor direito de sentir ciúmes, mas a paixão não conhece a razão. Eu morria de ciúmes ao vê-los assim. Se pudesse, os separaria com um safanão e colocaria o galã para fora com chutes no seu traseiro. Ah, se eu pudesse fazer isso!
Meia hora depois a reunião acabou e ela chamou-me até sua sala. Eu abri a porta e entrei, procurando fitá-la profissionalmente.
Ela estava olhando vários documentos e ao ver-me entrar, ergueu os belos olhos azuis. O rosto de deusa parecia cansado.
-Senhorita Letterman, quero que envie esses documentos por fax para nossa filial em Dallas. É o contrato que acabei de assinar com o grupo de japoneses.
Aproximei-me para pegar os documentos, avisando:
-O sr. Alan Bedford ligou. Ele deixou o recado que virá buscá-la no trabalho às dezessete horas, para aguardá-lo.
Frances ergueu uma sobrancelha, entregando-me os documentos.
-Ah, sim… obrigada, senhorita Letterman. E meu pai? Ele não ligou?
-Não, senhorita Nicodimou. Ele ainda não voltou de Toronto. Acredito que o mau tempo o reteve na cidade.
-Sim, deve ser isso… pode ir, senhorita. Esse contrato tem que ser remetido logo.
-Ok, vou fazer isso agora.
Saí do gabinete, fechando a porta atrás de mim. Fui cumprir a ordem, afinal sou uma secretária eficiente. Trabalho para a empresa há dois anos. Entrei para substituir a velha secretária do pai de Frances, que havia falecido de enfarte. O velho Cícero Nikodimou é um homem taciturno e de temperamento forte, mas o meu serviço parece agradá-lo, porque nunca se queixou de meu trabalho.E procuro manter ele e sua filha satisfeitos, porque secretario os dois.
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