Cap 3
por Fator X - LegadoQuando toquei a campainha, Rach veio logo abrir a porta, com seu sorriso alvar. Rach era uma garota de minha altura, cabelos ruivos encaracolados, olhos castanhos. Muito simpática e agradável, uma ex colega de faculdade.
-Sandy! Entre! – Disse, animada.
Entrei e fui apresentada à Dana e Samantha. Dana era alta, de cabelos e olhos castanhos, bem magra. Ela era masculinizada, mas perto de Samantha, ou melhor, Sam, parecia uma lady. Sam vestia-se como um dançarino de rap e podia ser facilmente confundida com um homem, se não fossem os seios grandes. Rach sempre gostava de mulheres bem “butch” (têrmo inglês equivalente à sapatão na nossa língua. Nota da autora). Eu prefiro mulheres com aparência menos andrógina, mais femininas. Como Frances, por exemplo. Oh, droga! Lá vou eu! Frances nem é gay, para eu compará-la com uma!
Saímos logo depois. É claro que Rach sentou atrás com sua namorada, e Sam ao meu lado. Dei partida sob o olhar encantado de Sam, que parecia completamente esquecida da mulher que partiu seu coração.
-Puxa! Não sabia que Rachel tinha uma amiga tão bonita! _ Disse Sam, com admiração – Você tem alguém, ou é livre?
Eu a fitei com vontade de rir. Sam tinha uma expressão tão idiota no rosto!
-Sou livre.
Ela sorriu de orelha à orelha, com a resposta.
-Oh, realmente? É difícil de acreditar, com a aparência que tem.
-Eu não estou interessada em arranjar alguém, Sam.
-Não acredito! Você é jovem, para ficar sozinha! O que houve, alguém a feriu e ficou com medo de envolver-se novamente?
Até que Sam era esperta… mas neguei. Ela foi o trajeto todo falando sobre a garota que havia perdido para um homem. Senti pena dela. Eu já havia passado por isso e sabia como doía. Quanto à Rach e Dana, suas bocas pareciam coladas por um poderoso adesivo.
Chegamos ao bar. Estacionei o carro e entramos. O Bad Girls era um bar-danceteria gay, mas era só frequentado por mulheres. Era aconchegante, bem decorado com posteres de cantoras com molduras de neon azul sobre a parede negra, dando um belo efeito. A luz negra tornava as mesas com toalhas brancas com um tom luminoso.
Era cedo e ainda haviam várias mesas livres. Ocupamos uma e Rach foi buscar quatro cervejas no balcão.Ela voltou logo depois e bebemos as cervejas observando as dançarinas na pista de dança. Sam convidou-me para dançar e fui para a pista com ela, tentando não mostrar meu desagrado por sua mão possessivamente no meu ombro, dirigindo-me . Se alguém se interessasse por mim, iria desistir, pensando que ela era minha namorada! Felizmente a música era uma salsa cantada por Glória Stefan e não dava para dançar juntas.O máximo que Sam podia fazer era girar-me. Mas a próxima era uma música lenta. Eu me dirigi para fora da pista, mas alguém pegou-me pelo braço. Voltei-me e vi uma mulher alta e loura, de olhos castanhos bem claros, vestida de negro, sorrindo-me. Ela tinha cabelos compridos e seu olhar caiu sobre mim atrevidamente.
-Vamos dançar? – Perguntou se inclinando e falando no meu ouvido.
Eu a olhei com mais atenção. Os cabelos eram longos, caindo pelos ombros em mechas rebeldes. Trajava calça de couro colante e uma camiseta sem mangas, mostrando os braços esbeltos. Ela era bem feminina, apesar da atitude atrevida. E bem atraente. Sorri para ela.
-Vamos! – Respondi, olhando para Sam, que olhou-nos de cara feia, mas não disse nada. Ela simplesmente nos deu as costas e voltou para a mesa. Ótimo.
A loura pegou-me pela mão e levou-me para o centro da pista, tomando-me em seus braços, conservando uma distância discreta. Ela era uma excelente dançarina.
-Aquela mulher que estava dançando com você é sua namorada? – Perguntou ela, sorrindo.
Eu ri, achando a idéia absurda.
-Quem, Sam? Absolutamente não, ela não é meu tipo.
-Oh… folgo em saber…
Eu a encarei curiosa.
-Por quê?
Ela tornou a sorrir.
-Por que quero fazer um convite à você.
-Um convite? Mas eu nem a conheço! É algo mais que outra dança?
-Bem… confesso que sim. E nós não nos conhecemos, mas podemos dar um jeito nisso. Sou Brenda Malory, advogada, trinta e dois anos e completamente livre.
-Oh!… E eu sou Sandra Letterman, secretária, vinte e cinco anos, livre também. Mas que convite deseja fazer-me, Brenda?
-Vamos até minha mesa? Lá conversaremos mais à vontade.
-Ok.
-Venha – Disse ela, pegando minha mão. Ela levou-me até uma mesa no canto e fez um gesto para eu sentar no sofá acolchoado. Sentei e ela sentou ao meu lado, fitando-me com um sorriso.
-É uma moça bem atraente, Sandra.
-Obrigada. Agora, diga que convite quer fazer-me. Estou curiosa.
-Muito bem, gostaria que me acompanhasse à uma festa.
-Uma festa? Onde?
-Em um apartamento.Fica na Michigan Avenue, 1500. É um triplex de uma amiga, um lugar seguro, não precisa ter medo.
Eu sabia que aquele endereço era de gente com muita grana, um dos mais exclusivos da cidade. Mas tinha meus receios. Eu acabara de conhecer Brenda. E se ela estivesse mentindo para mim?
Ela viu minha hesitação e respirou fundo, tirando uma carteira do bolso da calça e me estendendo.
-Aqui estão meus documentos, provando que não estou mentindo. Minha carteira de advogada, minha licença para dirigir e seguro social. Isso pode ficar com você, como garantia.Pode verificar tudo.
Sem cerimônia, eu olhei todos os documentos. Tudo conferia suas informações. E ainda dois cartões profissionais, com o endereço e telefone dela. Eu devolvi a carteira à ela, tranquilizada. Mas ainda perguntei:
-Por que quer que eu vá com você? Mal me conhece.
-Não vai se aborrecer em saber a verdade?
-Não. A honestidade é sempre bem-vinda.
-Pois bem. O caso é que eu tinha um relacionamento de cinco anos e ela traiu-me. Terminamos e agora sei que ela vai à essa festa, a dona do apartamento é nossa amiga. E eu não gostaria de chegar sozinha, pois já soube que ela vai acompanhada. Por issso vim aqui, ver se conseguia uma companhia. Se eu chegar lá com você, estarei confiante e orgulhosa. Pode ajudar-me?
-Oh… entendo como se sente… mas, por que tem que ir à festa? Não seria melhor evitar ver sua ex?
-Eu tenho que enfrentar isso, Sandra. Eu não vou abrir mão de comparecer ao aniversário de minha amiga por causa de minha ex. É uma grande amiga que tenho e não vou deixar de parabenizá-la. Por favor, venha comigo. Você vai gostar, as festas de minha amiga sempre são muito divertidas. E conhecerá muita gente interessante.
-Hummm… está bem. Vou confiar em você. Deixe-me antes avisar minhas amigas. Você está com carro?
-Sim, está estacionado na frente do bar.
-Você me levaria para casa, no final da festa? Porque pretendo deixar meu carro com minha amiga, ela veio comigo e não tem condução.
-Claro, sem problema.
Eu fui até Rach e expliquei a situação. Ela olhou para Brenda preocupada. Chamou-me em um canto e censurou-me por acreditar na estranha. Eu contei que havia visto os documentos dela. Brenda aproximou-se e estendeu a carteira para Rach.
-Sei que está desconfiada de mim. Não sou nenhuma louca, tarada ou assassina. Pode ficar com meus documentos até Sandra voltar. Eu pego com ela depois.
Rach pegou a carteira, olhou tudo, mas devolveu à Brenda os documentos.
-Ok, já vi que não é uma pessoa de vida irregular, fico mais tranquila – Disse Rach.
-Rach, estou com meu telefone celular – Lembrei à minha amiga – Qualquer problema, eu ligo para você. E você pode ligar-me também.
Depois de fazer-me mil recomendações, Rach abraçou-me, se despedindo.
-Até amanhã, Sandy. Vou esperá-la em sua casa.
-Ok, Rach, obrigada – Respondi, comovida com sua preocupação.
E saí com Brenda para a aventura.
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