Cap 4
por Fator X - LegadoO Honda Civic vermelho de Brenda parou diante de um dos cinco prédios do condomínio fechado onde a amiga dela morava. Eu olhei impressionada para o prédio de cinco andares. Brenda explicou que os prédios tinham um apartamento por andar.
Desci do carro e Brenda fitou-me sorrindo, fechando o carro.
-Vamos.
Eu a acompanhei excitada. Essa festa, como Brenda me havia informado no trajeto, era para sua amiga Joan. Ela era uma fotógrafa de moda e a festa estaria cheia de gente do ramo. Ainda bem que eu havia colocado uma das minhas melhores roupas, um vestido preto curto, que mostrava minhas pernas com meias e minhas costas com um decote sensual, mas não vulgar.
Brenda apertou o interfone e identificou-se. A porta abriu e entramos no hall luxuoso. Pegamos o elevador e em minutos descemos no terceiro andar. Uma ruiva alta já esperava com a porta aberta, sorridente.
-Brenda! Que bom que veio!
Brenda aproximou-se e beijou a ruiva na face, abraçando-a.
-Feliz aniversário, Joan! Eu não podia faltar à sua festa!
Brenda afastou-se e entregou à Joan um pequeno pacote de presente. A ruiva o pegou, dando um beijo no rosto dela.
-Obrigada, querida. O que é?
-Abra para ver.
Joan olhou para mim, que as observava com um sorriso.
-Depois. Primeiro, apresente-me à sua companhia.
-Oh, perdão, essa é Sandra Letterman. Sandra, apresento-lhe Joan Ascot.
Joan estendeu a mão e eu a apertei, dizendo com um sorriso:
-Muito prazer, Joan. E parabéns pelo aniversário.
Joan sacudiu minha mão e sorriu . Parecia bem simpática.
-Oi, Sandra…Brenda também está de parabéns. Veio muito bem acompanhada. Venham, vamos entrar.
Nós a seguimos e entramos no apartamento. O hall de entrada dava para uma sala de estar espetacular, toda decorada em estilo moderno, com cores em tom pastel e quadros abstratos com cores vibrantes. Os convidados se espalhavam pela sala dançando, conversando, bebendo, comendo ou simplesmente namorando.
Observei que os homens eram apenas cinco, com a predominância de mulheres. Todos bem vestidos, os homens de smooking e as mulheres com vestidos ou terninhos , mas tudo dentro do bom gosto e elegância. Uma “butch” como Sam ficaria totalmente deslocada ali.
Meu olhar caiu sobre um homem que eu nunca esperaria ver ali. Congelei de espanto.
Ele ria, dançando com outro homem mais ou menos de sua idade, que sussurrava algo em seu ouvido. Ele afastou-se um pouco e olhou para o parceiro com um olhar inequivocamente apaixonado. Não era possível… ele não era Alan Befford! Devia ser alguém muito parecido com ele!
-Sandra, ouviu-me?
Fitei Brenda atontada, ainda imersa em meu espanto.
-O que disse?
-Perguntei o que quer beber.
-Oh! Um martini ou vinho, seria ótimo!
-Não prefere uma taça de champanhe?
-Tudo bem…
-Fique aqui, vou apanhar no bufet.
Ela se afastou e Joan tomou-me pelo braço.
-Venha, vou apresentá-la às pessoas, para que se sinta à vontade.
Eu segui Joan sem protestar. Eu ainda estava em estado de choque por ter visto aqueles homens dançando. Seria mesmo Alan Befford, o noivo de Frances? Como era possível ele ser gay e ela não saber?
Joan apresentou-me à várias mulheres, mas não gravei o nome de nenhuma, chocada como eu estava. E então, Joan puxou-me até um canto da sala, que tinha três ambientes.
-Ah! Vocês estão aí! Sandra, quero apresentar à você o casal mais bonito da festa!
Olhei para as duas mulheres que estavam grudadas em um beijo. E minha cabeça pareceu girar, quando vi quem era uma delas.
As mulheres riram e se voltaram para nós. E o olhar dela caiu sobre meu rosto. Foi recíproco. O sorriso congelou e logo foi substituído por uma expressão incrédula. Ela empalideceu visivelmente, fitando-me como não acreditasse no que via.
-Frances, o que houve? – Perguntou Joan, preocupada – Está com uma cara como se tivesse visto um fantasma!
Frances Nikodimou, a filha de meu patrão, a noiva de Alan Belford, tentou sorrir, com fraco resultado. Seu olhar se desviou de mim para Joan e ela falou com voz trêmula:
-Não tenho nada, Joan… só uma tonteira, que passou…
-Está se sentindo mal? – Perguntou Joan, preocupada.
-Não!… Já estou bem…
A loura ao lado dela riu, passando a mão no rosto de Frances.
-Deve ter sido o efeito do meu beijo – Comentou, brincando – Frances deve ter se sentido indo para a lua!
-Bem, se está tudo bem, quero apresentar à vocês Sandra Letterman. Ela veio com Brenda. Sandra, apresento-lhe Frances e Goldie.
Frances apenas fez um gesto com a cabeça e a loura sorriu afetadamente.
-Oi, Sandra… não deixe Brenda sozinha por muito tempo, aqui está cheio de mulheres solteiras…
Eu ia replicar que era apenas uma amiga de Brenda, quando a vi chegar com duas taças nas mãos.
-Oh, aí está você… tome uma taça, Sandy…olá, Frances! Olá, Goldie!
Frances olhou para Brenda friamente.
-Olá, Brenda- Disse, levantando-se. Olhou para Joan, desculpando-se – Bem, tenho que ir embora. Amanhã tenho uma reunião bem cedo com clientes.
Joan a fitou surpresa.
-Realmente? Por que não disse isso antes, já teria cortado o bolo!
Frances sorriu, aquele sorriso que derretia gelo. Pena que era para Joan.
-Não se preocupe, guarde um pedaço para mim, que virei amanhã à noite comê-lo, se não tem algum compromisso.
-Você sabe que é sempre bem-vinda em minha casa, Frances – Disse Joan – Venha mesmo, estarei esperando-a.
Frances fitou-me polidamente, já recuperada da surpresa.
-Foi um prazer conhecê-la, Sandra. Boa noite.
Fiz o jogo dela, fingindo que não a conhecia:
-Igualmente, Frances. Boa noite.
E ela afastou-se com Goldie e Joan, que foi levá-la até a porta. Brenda tomou-me pelo braço possessivamente, fazendo-me desviar a atenção delas.
-Vamos sentar e conversar.
Eu não gostei muito de sua atitude, mas a segui até o sofá que Frances estava momentos antes. Sentamos e Brenda fitou-me com um olhar cheio de ira.
-Você viu? Aquela vadia nem falou direito comigo!
Eu a fitei confusa.
-Quem?
-Frances, quem mais? Cadela! Ela e Goldie estão boas uma para a outra!
Eu a fitei surpresa. Mais uma que eu não esperava! Frances e Brenda?!
-Frances é a mulher que você disse que era sua ex?! – Perguntei, não podendo evitar o tom de incredulidade. Elas eram tão diferentes!
-Sim, por que esse tom de dúvida? Ela enganou-me, dizendo que me amava!- Gritou Brenda, com ódio no olhar.
-Brenda, controle-se!
Brenda fitou-me com desejo brilhando em seu olhar. Parecia fora de si.
-Eu estou controlada! Vamos esquecer de Frances e aproveitar a noite – Disse, sorrindo diabolicamente e abraçando-me. Ela tentou beijar-me, mas eu a empurrei colocando a mão em seu ombro.
-Alto lá, Brenda! Não pretendo ser uma válvula de escape de sua frustração! Lembre-se que vim aqui como sua amiga!
Ela tentou agarrar-me outra vez, mas eu levantei-me e a empurrei mais uma vez, dizendo com desprezo:
-Chega, Brenda, está passando dos limites!
Brenda fitou-me com raiva e falou com tom rude:
-Está me rejeitando? Quem pensa que é, uma princesa? Saiba que tive mulheres bem mais bonitas e de classe que você! – Gritou.E esbofeteou-me!
Cambaleei com o golpe e olhei em volta, vendo que nós agora éramos o centro das atenções. Joan aproximou-se e olhou para Brenda com reprovação.
-Brenda, não admito que você trate uma pessoa que está em minha casa dessa forma! Eu já perdoei muitas faltas suas, mas tudo tem um limite! Quero que se retire imediatamente, já que não sabe respeitar as regras de boa convivência numa festa!
Brenda a fitou empalidecendo.
-Está me expulsando?!
-Sim. Retire-se agora!
Brenda fitou Joan com raiva, mas não perdeu a pose. Empinou o nariz e disse, com ar superior:
-Eu já ia embora mesmo! Sua casa já foi bem frequentada, mas agora está cheia de gente sem classe! E você se contaminou! Boa noite!
E se afastou sem olhar para ninguém. Uma das convidadas abriu a porta para ela sair e a fechou depois que ela saiu.
Joan fitou-me com olhar preocupado. Meu rosto ardia pela bofetada, mas felizmente o golpe não havia quebrado algum dente nem partido meus lábios.
-Venha, vamos colocar uma compressa de gelo em seu rosto. Sinto muito por esse procedimento de Brenda, você a conhece há quanto tempo?
Eu inclinei a cabeça, envergonhada.
-Eu a conheci hoje, numa boate. Ela pediu-me que a acompanhasse como amiga.
Joan levou-me até a cozinha e deu-me uma toalha de rosto com uma pedra de gelo dentro, que apertei no rosto. Sentamos e em poucas palavras contei à Joan tudo que Brenda havia me falado. Joan sacudiu a cabeça com desgosto, fitando-me.
-Ela é uma mentirosa e paranóica, Sandra. Eu tento ser amiga dela porque a conheço desde minha adolescência, mas está ficando difícil manter essa amizade. Ela tem fixcação por Frances e a persegue com propostas. Frances nunca deu qualquer esperança à ela, mas Brenda inventa para todos que Frances foi amante dela. Estou dizendo tudo isso à você porque acho que não deve perder seu tempo com ela. Você parece ser uma pessoa sensata. Outra, em seu lugar, teria reagido com violência à bofetada que levou.
Fitei-a com surpresa, ouvindo aquelas revelações.
-Não pretendo falar mais com Brenda, obrigada pelo aviso.Já havia decidido isso depois da agressão que tive, e mais ainda agora que sei que ela mentiu-me, dizendo que sua ex de cinco anos, que a havia traído, vinha à festa acompanhada e ela precisava de uma companhia para vir. E foi uma mentira, pelo que vejo – Falei, com convicção.
Retirei-me minutos depois, apesar de Joan insistir para que eu ficasse. Ela chamou um táxi à meu pedido e voltei para casa pensando em tudo que havia acontecido. O que mais me chocara era ter descoberto que Frances e o noivo eram gays! Era inacreditável! Se eu não tivesse visto com meus próprios olhos, não acreditaria! Por que eles eram noivos, se ambos eram homossexuais? Era um disfarce para suas famílias? Tudo levava a crer nisso. Conhecia o pai de Frances e sabia que ele era o protótipo do machão de mente estreita, que achava que a mulher era um ser inferior que só servia para procriar. Infelizmente para ele, só tinha filhas mulheres e Frances era a mais velha das três. Não tinha um filho para ajudá-lo a gerir os negócios, tinha que ser Frances.
Rach estava dormindo quando cheguei e fiz tudo para não acordá-la. Não estava com vontade de conversar e estava cansada. Despi-me e caí na cama, adormecendo em pouco tempo.
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