Fanfics sobre Xena a Princesa Guerreira

    Nas geladas e completamente desnecessárias terras míticas (onde até os dragões tinham nariz entupido e valquírias reclamavam do atendimento público nas tavernas), Xena e Gabrielle seguiam a trilha de um artefato perdido.

    _Um colar que concede a Harmonia Perfeita – leu Gabrielle, arrancando musgo de uma pedra rúnica erguida entre algumas árvores no meio da floresta da cidade de Norclands. _ Quem usa fica em paz absoluta com todos ao redor.

    _ Entediante – resumiu Xena, ajustando o Chakram.

    _Mas Xena, imagine ter um dia sem preocupação alguma, não seria incrível? -exclamou Gabrielle. Xena deu de ombros, como sempre faz quando Gabrielle começa a falar sem parar sobre aleatoriedades diárias. De repente uma nuvem rosa-choque desceu do céu, tão rápido que derrubou dois pinheiros e um esquilo bipolar.

    _GENTE! – Era Afrodite, que surgiu em plena glória cintilante, cabelo perfeitamente ondulado mesmo com o vento congelante. _Precisamos falar. – Disse ela com as mãos na cintura.

    _Sobre o quê? – Gabrielle já colocou a mão no cajado.

    _Sobre o fato de que eu fui amaldiçoada por Éris! _A deusa apontou para o pescoço, onde um colar dourado e horroroso brilhava com um brilho suspeito. _ Ela  me deu isso de presente e disse que enquanto for meu, toda vez que alguém brigar perto de mim, ficarei tão entediada que vou espirrar glitter rosa por três horas!  E pior, se eu perdê-lo, nunca mais me livrarei da maldição.

    Xena arqueou uma sobrancelha.

    _Parece justo.

    _XENA! – Afrodite gritou. _ E EU SOU ALÉRGICA A GLITTER! Ela fez de propósito!

    _Mas qual seu plano? Quer ajuda pra persuadir Éris a remover a maldição?

    Antes que pudessem elaborar, um grito ecoou no bosque:

    _ PARE! LADRÃO!

    Autolycus, Rei dos Ladrões, passou correndo com a agilidade de quem já tinha levado muitos tapas na vida. Atrás dele, Joxer o perseguia com uma frigideira, tropeçando e rolando pelo chão a cada três passos.

    _Droga -murmurou Autolycus, freando ao ver o grupo. _Existe algum lugar neste continente onde vocês não estejam?

    _Norclands não é grande o suficiente – disse Xena, que se movimenta rápido o suficiente para estar ao lado de Autolycus e segurar seu colarinho com a mão esquerda, enquanto aponta a outra na frente dele como se pedisse algo. _O que roubou dessa vez?

    _ ELE ROUBOU MEU COPO TÉRMICO DE GUERREIRO STANLIX! — berrou Joxer, chegando ofegante. — Era presentinho da minha tia-avó que lutou na Guerra dos Trolls!

    _ Não foi um roubo, apenas um empréstimo – Autolycus jogou o copo para Joxer, que caiu de bunda. _ E não tenho tempo para isso. Estou fugindo de uma seita de guerreiros gansos.

    _ O quê?

    Todos se viraram. E, do meio da neblina, marchando em formação militar perfeita, surgiu um bando de gansos. Com armaduras minúsculas. E elmos com plumas.

    _VINGANÇA! – grasnaram em uníssono assustador.

    _ Eles juram que roubei um ovo sagrado – Autolycus já subia numa árvore em puro pânico _ Sendo que eu só peguei para devolver! Mais tarde! Eventualmente!

    Afrodite soltou um grito ao notar os gansos se aproximando:

    _ SE ALGUÉM BRIGAR PERTO DE MIM AGORA, EU ESPIRRO GLITTER ATÉ O SOLSTÍCIO!

    Xena avaliou a situação: gansos furiosos, um ladrão na árvore, Joxer com frigideira, uma deusa à beira de um ataque alérgico decorativo, e Gabrielle tirando notas num pergaminho como se aquilo fosse material para peça de teatro.

    _Gabrielle, alguma ideia?

    _Estou documentando,Xena. Para fins históricos. E cômicos, é claro!

    Um ganso-praça-de-guerra avançou. Xena girou o Chakram e soltou seu grito de guerra tradicional, derrubou três, mas um deles agarrou o colar de Afrodite com o bico e saiu correndo.

    _MEU COLAR! – a deusa esticou a mão como se tivesse que ir atrás do ganso, mas os pés não se moveram, já que ela não queria intencionalmente buscar o colar. Mas sabia que se o perdesse jamais pararia de espirrar glitter toda vez que alguém brigasse.

    Autolycus desceu da árvore.

    _Vou pegar. Mas quero algo em troca.

    _O quê? — perguntou Afrodite e Gabrielle, porém Afrodite suspirou e revirou os olhos antes de questionar.

    _Primeiro: Que Xena pare de me bater antes de perguntar.

    _ Não prometo – disse Xena, já correndo atrás de outro ganso.

    _E segundo, o ovo dos gansos, se ele existir. -Piscou para Afrodite que fez um bico engraçado.

    O que se seguiu foi uma perseguição ridícula por Norclands, quase estilo scooby-doo: ganso com colar brilhante, deusa espirrando glitter (porque Joxer brigou com uma árvore que ele jurou ter lhe dado uma topada), Autolycus tentando ser herói e escorregando em geleia de baga congelada, e Gabrielle narrando tudo em voz alta.

    No fim, Xena recuperou o colar… mas notou algo estranho.

    _Afrodite – chamou, examinando a joia. – Isso realmente é uma maldição de Éris, ela sabia que viria até nós?

    _Não deveria…

    _Eris escreveu na parte de trás: “Para minha amiga, que tanto ama glitter.”

    A deusa pegou o colar e ficou vermelha. Vermelha-choque.

    _ELA REALMENTE FEZ ISSO PORQUE SABIA QUE EU VINHA ATRÁS DE VOCÊS ?  – Virou-se para o grupo.

    _O que ela esperava com isso? – disse Gabrielle.

    Autolycus riu. _Provavelmente nos impedir de conseguir o ovo dos gansos com facilidade. Já que Afrodite não poderia intervir enquanto vomita em brilhos

    _EU NÃO VOMITO GLITTER! – a deusa cruzou os braços, ofendidíssima. _ Eu exalo elegância.

    Nesse momento, Joxer, que estava em silêncio há tempo demais, levantou a frigideira triunfante.

    _ EU SEI ONDE ESTÁ O OVO!

    Todos se viraram.

    — …ONDE? — Gabrielle pausou a escrita.

    _Vi quando caí de bunda ali atrás! Tem um ninho ENORME dentro de uma caverna coberta de musgo. E o ovo é… dourado?

    Autolycus arregalou os olhos.

    — Dourado? Estilo ganso dos ovos de ouro?

    _Não, estilo ovo metálico brilhante que parece falso mas é valioso.

    Afrodite suspirou, já espirrando um tufo de glitter rosa no cantinho.

    _Então vamos buscar logo antes que eu espirre meus cílios postiços.

    Na caverna, o cenário era ridiculamente teatral: o ovo dourado estava num pedestal de pedra, iluminado por um raio de luar que entrou milagrosamente por uma fenda. Os gansos guerreiros estavam todos dormindo em volta, roncando baixinho – alguns até com a armadura torta.—

    _Pegue o ovo e saia andando — sussurrou Xena, balançando as mãos e pedindo silêncio aos outros.

    _Deixa comigo – Autolycus piscou e se moveu com silêncio felino… Até pisar num graveto.

    CRACK.

    Os gansos acordaram um a um.

    _INVASORES! “WACK! (Quase um quack)” – grasnaram.

    Xena suspirou e revirou os olhos.

    _Gabrielle, lembra daquelas coreografias de luta que você treinou no inverno passado?

    _Para esta mesma situação? — Gabrielle empunhou o cajado. _Não muito, mas posso improvisar!

    O que se seguiu foi uma confusão digna de taverna bêbada: Joxer usou a frigideira como raquete de pingue-pongue para rebater gansos; Afrodite, cansada de espirrar, pegou um ganso e jogou em Autolycus; Xena girou o Chakram cortando plumas no ar; e Gabrielle… Gabrielle descobriu que os gansos dançavam se ela cantasse uma música de ninar das valquírias.

    _ISSO NÃO FAZ SENTIDO! – gritou Autolycus enquanto os gansos começavam a dançar em círculo.No meio da roda de gansos dançantes, Xena pegou o ovo com uma mão e jogou para Afrodite.

    Afrodite ao encostar no ovo, sentiu o colar esquentar, ela o tocou, e ele se abriu sozinho e caiu no chão com um pling ridículo e desapareceu como mágica. No mesmo instante, os gansos pararam de dançar, se entreolharam confusos, e saíram marchando para fora da caverna como se nada tivesse acontecido.

    _ Éris vai ouvir um discurso meu – resmungou Afrodite, guardando o ovo em uma dobra do vestido. _Mas primeiro… obrigada. Acho.

    _De nada – disse Xena. _ Agora vá. E leve o glitter com você.

    Afrodite revirou os olhos, beijou o ar na direção de todos e sumiu numa nuvem rosa _que, para azar de Autolycus, se dissipou bem em cima dele.

    _EU VOU FICAR BRILHANDO POR DIAS! – reclamou, sacudindo os cabelos cheios de purpurina.

    Joxer riu, apontando.

    E, enquanto caminhavam de volta pela neve de Norclands, Gabrielle anotou no pergaminho:

    “Moral da história: colar da harmonia não trouxe paz, gansos de armadura não são brincadeira. E Autolycus fica melhor com purpurina”

    _ Não vou deixar você escrever isso – disse ele, tentando ler por cima do ombro.

    _ Já escrevi. -Gabrielle colocou a pena sob os lábios e fez um rosto questionador. _Mas Autolycus, você não queria o ovo?

    Autolycus fez um olhar suspeito com um sorriso de canto

    _Algumas coisas não se pode ter. – suspirou. Enquanto todos caminhavam mais à frente, ele olha para os lados e retira o ovo de suas costas como se estivesse invisível ali, como um truque do Rei dos Ladrões.

    Xena, pela primeira vez no dia, sorriu enquanto caminhava para a próxima fofoca, digo, aventura.

    FIM.

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