PARTE VI
por DietrichA esposa queixosa de Quinto Fabiano
A máscara dourada, belamente trabalhada, leve e fina, fora um presente; César mandou fazê-la para ela. Era emblemática de seus gestos caros e grandiosos habituais no sentido de que era motivada por algo simples e egoísta:
“Se você insiste em ir a uma orgia – eu insisto na sua anonimidade. Sei que você adora ser o centro das atenções, querida, mas, ah, não fica bem para a esposa do Imperador ser vista em um desses eventos. Talvez os gregos sejam mais tolerantes com seus cônjuges, mas até orgias têm um certo protocolo, pelo menos as boas.”
Outro comentário barato sobre os gregos, disfarçado em mais um discurso sobre comportamento adequado. Ela resistiu magistralmente à vontade de revirar os olhos durante o sermão e, depois, ele a elogiou por tal contenção magnífica.
No final, ela participou de apenas dois desses encontros e descobriu que não eram do seu agrado. Descobriu que, em alguns casos, as orgias colocavam alguém em um dilema melhor descrito como uma Cila e Caríbdis sexual: não exatamente entre uma rocha e um lugar duro, mas entre um traseiro peludo e uma figura decadente. Ou a composição perfeita, com a quantidade certa de beleza, paixão e partes do corpo, era interrompida – no momento mais crucial – por genitais anônimos, intrusivos e exigentes. Talvez seu marido estivesse certo em saciar seus desejos com uma seleção cuidadosa de escravos e as esposas de dignitários persas visitantes.
Naquela noite, a máscara seria útil; repousava sobre seu rosto como uma pele endurecida, pronta para cair em um momento revelador. Ela caminha com arrogância pelas ruas escuras em direção à vila, discretamente iluminada para não atrair atenção indesejada de curiosos demais. E, apesar do perigo implícito na vasta escuridão de uma noite em um bairro romano perigoso, ela viaja sozinha.
Embora tenha sido divertido ver a expressão inicial de surpresa no rosto da gladiadora diante de sua proposta, Xena imediatamente se arrependeu da ideia assim que o choque se dissipou em uma expressão de desgosto e – o quê? Confusão? Mágoa? Faustina certamente teria reprovado severamente esse erro tático de sedução. Mas Xena apenas pensara que seria útil ter a melhor lutadora de Roma ao seu lado.
Depois de mandar a gladiadora embora – presumivelmente de volta à casa de Cato e a um futuro incerto – ela considerou pedir a Pullo para escoltá-la, mas logo percebeu que dar a uma criatura tão ávida amplas oportunidades de experimentar uma variedade de corpos significaria que ela nunca conseguiria tirá-lo de lá. E, admite silenciosamente, é emocionante andar pelas ruas sem uma comitiva de guardas cautelosa.
Na porta da vila – onde as sombras acentuam as consideráveis rachaduras nos arcos e balaustradas, transformando-as em marcas de destruição iminente – estão dois guardas armados, robustos em todos os sentidos e, sem dúvida, irritados por não terem sido autorizados a participar dos prazeres da noite.
“Qual é a senha?” ladra o menor dos dois.
O chute de Xena – perfeitamente direcionado e executado com força – derruba-o como uma pedra. Ele fica imóvel e em silêncio. Com um olhar curioso para o companheiro caído, o outro guarda o cutuca com a ponta da bota. Como um caracol cutucado por um graveto, o homem ferido se encolhe em posição fetal e solta um profundo gemido de dor. O guarda que ainda está de pé a observa com apreensão.
“Certo, então.”
Ela passa por ele com tranquilidade.
No átrio, a luz diáfana das velas, enfraquecida pela cortina sufocante de fumaça de incenso, funciona como migalhas de pão, marcadores deixados por ninfas decadentes em um caminho embriagante até salas escurecidas. Nos montes emaranhados de membros, ela pensa reconhecer participantes de espetáculos passados: Pênis grande, péssimo desempenho. Um traseiro mais impressionante que o de Afrodite. Cheiro estranho. Não parava de falar sobre seu cavalo. Ela estremece.
Escolhendo seu caminho entre os corpos enquanto busca o trajeto menos lascivo, percebe que não é tão discreta quanto ela – ou César – imaginou inicialmente. Talvez, mesmo em uma orgia, alguém notasse uma mulher incomumente alta, vestida de couro da cabeça aos pés e usando uma máscara dourada. Talvez essa tenha sido a ideia de César o tempo todo – torná-la tão reconhecível que ela abandonasse essa depravação como quem solta uma pedra quente. É por isso que escolhi você, por isso que me casei com você. Porque eu sabia que você me manteria alerta. Apesar dessa mini-epifania, ela continua a navegar pelo caos de corpos.
A descoberta das predileções de Pompeu foi totalmente acidental: durante um encontro romântico com a esposa de Quinto Fabiano, cujo nome foi felizmente esquecido, mas cujo hábito de enumerar suas preferências antes do ato amoroso era memoravelmente cansativo.
“Gosto de ser beijada de forma linear, nada de pular de uma parte do meu corpo para outra. E quando eu terminar, um ‘obrigada’ seria bom – ei, Xena, o que acha que está fazendo? Não gosto desse negócio de ser amarrada. Quem você acha que eu sou, Pompeu?”
A esposa de Quinto Fabiano fez piada nervosa sobre isso depois, é claro, mas Xena guardou avidamente essa informação para consideração futura e possível chantagem. Ela não tinha ideia de quão útil isso seria até este momento, caminhando por um corredor que leva a várias câmaras privadas e ao seu alvo desavisado.
O marco indicando o quarto privado de Pompeu, no entanto, não era uma mera mulher: era a mais famosa hetaira[1] de Roma, conhecida por fazer os nós mais apertados e intrincados com o tecido de sua escolha – de cordas ásperas à seda mais fina, sua maestria em amarrações era insuperável na cidade.
Seria uma boa marinheira com esse conhecimento, pensa Xena.
A prostituta está untada com óleo, nua, exceto por uma tira de couro pendurada na cintura, um chicote enrolado pendendo da mão e a pesada máscara metálica de uma aparição com chifres – meio humana, meio bode – cobrindo o rosto. Chifres espiralados saem da testa da máscara.
Por trás de sua própria máscara, Xena revira os olhos e faz uma careta. Chifres. Tão clichê, realmente clichê. Ela estende a mão, exigindo silenciosamente o chicote.
Com a mão no quadril saliente, a hetaira permanece impassível, indiferente e não disposta a desistir do maior pagamento do ano.
Xena remove uma bolsa tilintante do cinto e a joga para a mulher, que a pega com facilidade.
Ela rola a bolsa ruidosa de maneira provocativamente obscena, seus dedos perversamente maleáveis ao redor do tecido macio. A máscara com chifres inclina-se em deferência e o chicote é entregue.
Entrando na câmara escura e iluminada por velas, o estômago de Xena se revira ao pensar em montar qualquer parte do corpo nu de Pompeu. Felizmente, ele está amarrado de bruços na cama, cada membro firmemente preso a um dos postes.
As coisas que faço por esta cidade miserável. Por quê? Se os humores de Xena fossem mais fleumáticos e menos sanguíneos, a reflexão poderia tê-la feito hesitar seriamente. Em vez disso, ela coloca a questão de lado para contemplação futura – quando, ela não tem a menor ideia – e salta sobre as costas dele com a mesma graça empregada durante um sacrifício de touro, parte de sua iniciação mitraica muitos anos atrás.
Claramente esperando a magra hetaira, Pompeu grunhe surpreso.
“Olá, Pompeu,” ela sibila em seu ouvido.
Ele tensiona o corpo e sussurra o nome dela.
“É mais surpreendente me encontrar viva ou aqui, em cima de você?”
Pompeu tenta se livrar dela com um movimento brusco, mas é ineficaz.
“E então?” ela rosna, perto o suficiente para testemunhar o pânico crescente no branco do olho dele.
Ele emite um ruído engasgado e baboso antes de cuspir as palavras: “Aquela maldita gladiadora.”
“Ah, sim. É tudo culpa dela, não é? Agora você está em uma situação complicada por causa disso – em todos os sentidos da frase também. Bem, Pompeu, tenho um conselho que acho que você deveria seguir, porque, se não o fizer, pode ter certeza de que vou matá-lo. Escute com atenção.”
Ela desenrola o chicote o suficiente para envolvê-lo no pescoço. À medida que o nó aperta ao redor da garganta dele, em um abraço íntimo com os tendões lutando logo abaixo da pele, uma profunda onda de prazer a invade – diferente da iniciação mitraica, embora a lembrança daquele evento dê uma intensidade doce a este: o touro estrangulado até a sedação, o joelho dela contra sua espinha, sua garganta cortada, o banho de sangue. Por mais tentador que seja, no entanto, ela não pode matar Pompeu – se não por outro motivo, porque a guarda pessoal dele agora está esmurrando a porta.
“Saia da cidade,” ela rosna, enquanto o quarto é invadido.
Tem que haver um amanhã
O ar da manhã, inchado e prometendo chuva, repousa pesado sobre tudo; é, especula Gabrielle, uma maneira de explicar sua letargia, sua inação. Ela está sentada placidamente na cozinha da casa de Cato, observando seu mestre, abatido e com a barba por fazer, nervosamente arranhar a bochecha áspera. Sua pele se assemelha a pergaminho amassado e cinzento. Todo mundo parece mais velho de manhã, pensa ela – e esfrega o próprio queixo, buscando uma refutação às cegas. Até eu?
Após uma rejeição decorosa – ao menos ela espera que tenha parecido decorosa, embora agora recorde ter feito uma careta de nojo em certo momento – à proposta da Imperatriz na noite anterior, ela havia deixado a residência desta da mesma forma que entrou: rapidamente, pela janela. Movendo-se pela escuridão onírica, não tinha ideia do que fazer além de se render à desaprovação agravada de Cato; não era como se ela realmente temesse ele, Pompeu ou até mesmo os homens de Pompeu. Ao retornar à vila, encontrou-o sozinho. Temendo o pior, como sempre fazia, ele havia sabiamente enviado sua família para a casa de verão em Baiae e esperava que alguém – ou a guarda pretoriana de Xena ou os capangas de Pompeu – chegasse para executá-lo.
Por mais bom que ele tivesse sido para ela – no sentido de nunca ter encostado nela de forma alguma – esse ato altruísta agora mudava a maneira como ela o via. Ele era ganancioso, calculista, fraco e preguiçoso; mas também era corajoso e devotado à sua família. Então, sob seus protestos protocolares, ela se sentou com ele, determinada a garantir que ele permanecesse vivo.
Cato a encara, exausto.
“Se a guarda de Pompeu chegar primeiro, eles vão matá-la.”
O olhar impassível de Gabrielle diz o contrário.
“Certo.” Ele ri, sem humor. “Você vai matar todos eles, mas então terá um preço ainda maior sobre sua cabeça. E se ousar cruzar o caminho dos homens da Imperatriz, bem… há um limite para o que ela pode perdoar. Provavelmente enviará aquele brutamontes Pullo. Normalmente, é ele quem faz o trabalho sujo dela. Se você matá-lo, ela ficará furiosa. Ela gosta muito dele. Um bom bárbaro é difícil de encontrar hoje em dia. Todo mundo ficou mole. Pelo amor de Júpiter, o que é um homem hoje em dia, quando o melhor lutador desta cidade amaldiçoada pelos deuses é você?” Ele enterra o rosto nas mãos, soluçando.
Por um breve momento, ela reconsidera essa mudança de opinião sobre Cato. Ela se pergunta por que sente pena dele, por que permanece sentada ali, segurando sua espada, pronta para lutar por ele. Pena, talvez? Ou porque não há mais nada a fazer além de esperar que o inevitável se desenrole, compondo-se lentamente como os fios das Moiras em sua tapeçaria. Ela inclina a espada larga. Um feixe de luz percorre seu comprimento: prata.
Essa é a linha da minha vida na tapeçaria das Moiras? Não, ela responde em silêncio. Teria que ser vermelha, não teria?
Essas reflexões terminam abruptamente quando o Bruto Favorito da Imperatriz, Pullo, arromba a porta da frente. Ele atravessa a casa como um titã de pé torto invadindo uma casa de bonecas, até encontrar seu alvo, e a protetora do alvo, na cozinha.
Calmamente, Gabrielle se levanta, ciente da doce tensão nos músculos soltos, a espada uma extensão perfeita de sua mão, de seu braço, de seu ombro, de todo o seu corpo.
A expressão de alegria do soldado ao reencontrar seu ídolo rapidamente se transforma em apreensão profissional, e ele saca seu gládio[2] com uma mão levantada em sinal de súplica. “Agora, calma aí.”
“Ah, que diferença faz?” Cato ruge. “Para o Tártaro eu vou!” Como uma heroína em uma tragédia ruim, ele cai de joelhos na frente de Pullo e expõe o pescoço.
“Ah, vamos lá,” Pullo geme. “Não tem graça nenhuma nisso.”
Gabrielle encontra sua voz, e seu murmúrio baixo – “É diversão que você quer?” – faz com que os dois homens a encarem com apreensão.
“Ah-” Pullo esfrega o pescoço robusto. “Imperatriz!” ele berra. “Aqui dentro.”
Ela está aqui, pensa a gladiadora.
Vestindo um manto escuro com capuz para promover o anonimato, Xena emerge do átrio e dissipa aquele predador solto em Gabrielle, que percebe, com uma preocupação silenciosa que cresce dentro dela mais profundamente do que gostaria de admitir, que o nariz perfeito da Imperatriz está inchado e uma meia-lua de cor ameixa complementa seu olho esquerdo, como uma espécie de maquiagem bárbara.
“Cato. Você obviamente entende por que estou aqui. Vai responder minhas perguntas no devido tempo, não vai?”
“Sim,” ele sussurra.
“Bom. Então talvez eu me incline para o banimento e nada mais. Quanto ao seu maldito primo, sei que ele está mais envolvido do que você, então pode muito bem enviar uma carta de despedida para ele. Contudo, dito isso, exijo algum tipo de reparação sua por essa tentativa desajeitada contra minha vida. Porque isso causou danos não apenas a mim, mas à cidade também. Porque, veja bem, Cato, houve distração e interrupção no Império, pois fiquei tão abalada com essa conspiração de grande alcance contra mim que não consegui me concentrar nos meus papéis esta manhã, e que os deuses me proíbam de ajustar injustamente um imposto sobre grãos ou autorizar a licença para um bordel – para o bem ou para o mal, Cato, no lugar de César, eu sou Roma. Então. Pela perda temporária, mas vital, do meu equilíbrio geral e, sem mencionar o fato de que sua aspirante a assassina quebrou um vaso…”
“Meu vaso favorito, inclusive,” Pullo interpõe.
“-sim, isso também. Por tudo isso, Cato, eu peço – não, eu exijo – reparação.” Conforme a grandiloquência diminui, a Imperatriz fixa a gladiadora com um olhar de posse. “Pegue suas coisas.”
Cato guincha: “Mas, Imperatriz, minha subsistência-”
“Ah, Cato. Preciso te lembrar?” As mãos de Xena se movem com uma precisão chocante em direção ao pescoço de Cato, e Gabrielle percebe que está, pela primeira vez, testemunhando o lendário ponto de pressão em ação. Sempre esperou experimentar tal ponto de pressão em algum momento de todos os encontros que já teve com a Imperatriz, mas ao ver a rigidez, os movimentos desengonçados como de um peixe fora d’água do agora ex-mestre, e o filete de sangue escorrendo do nariz dele, sua curiosidade está mais do que satisfeita.
A Imperatriz se ajoelha para ficar no mesmo nível dos olhos de Cato. “Você não está mais em posição de negociar.”
Quem precisa de para sempre?
Quando Antônio chega à residência da Imperatriz, não há palavras doces para a velha Faustina, nem charme lânguido. Ele enreda um escravo desavisado com um arremesso raivoso de sua capa e segue sua anfitriã real como uma harpia vingativa pelo átrio, pelos corredores, pelo pórtico. Isso faz Xena se lembrar de jogos de infância com seus irmãos; claro, ela sempre era o objeto de perseguição – poderia ser culpada por estar sempre vários passos à frente deles?
“Você deveria tê-lo matado na hora,” Antônio rosna às costas dela.
Ela para de andar – como resultado, ele quase colide com ela – e se vira. Seu rosto belo está contorcido como uma máscara de drama. “Como sempre, você é completamente previsível.”
“E você é completamente tola. Não matá-lo quando teve a oportunidade-”
“-de matar Pompeu, que foi um dos aliados mais antigos e confiáveis de César? Não cabe a nós tomar essa liberdade. E as consequências, se eu fizesse isso? Você daria mais motivos para os seguidores dele se voltarem contra nós. E traria toda a cidade à beira de uma guerra civil. Não se pode apagar a história cortando a garganta de alguém.”
“Não, mas você pode mudar a história ao fazer isso. Às vezes, para melhor.” Sua fúria diminuiu, ainda que ligeiramente. “De qualquer forma, ele já se foi. Isso vai lhe dar tempo para reunir suas forças.”
“Onde? Como? Quem o apoiará?”
“Bruto, talvez.”
“Bruto é idealista, não estúpido.”
“Verdade. Mas eu apostaria que Pompeu tentará a sorte em Alexandria,” murmura Antônio. “E não me diga que você acha que os Ptolomeus não seriam estúpidos o suficiente para fazer isso. Foi você quem disse que toda essa endogamia os tornou tão fracos e sem cérebro quanto vermes.”
Xena sorri. “Então talvez nos seja vantajoso se Pompeu realmente buscar refúgio lá.”
Antônio, no entanto, já não está mais prestando atenção. Com as mãos nos quadris, ele olha para o pórtico, a máscara de fúria abandonando seu rosto, substituída por pura diversão. “Bem, bem.” Antônio ronrona. “A criança tem um novo brinquedo.”
Gabrielle, o “brinquedo” no pátio, luta com um trio desajeitado de soldados. Ela é um borrão belo de carne e espada. Xena se pergunta quantas vezes a gladiadora já derrubou aquele trio hoje. E o sol mal saiu das árvores.
“Então,” Antônio começa, condensando uma vida inteira de ceticismo em uma única sílaba, “você traz sua assassina para o redil. Falando em estupidez, Xena – ou é tudo muito inteligente da sua parte? Não sei dizer.”
“Já pensei que isso tudo pode ser um elaborado disfarce para que ela pudesse se infiltrar na minha casa e relatar minhas atividades aos Optimates.”
“Sim, isso seria um movimento brilhante. Distraí-la com uma coisa bonita e mortal. Você sempre gostou das suas feras selvagens, não é? César adora contar aquela história de como você queria lutar com a pantera daquele príncipe persa.”
Essa pantera teria perdido, Xena pensa, e então se irrita com o insulto imaginado à sua mais nova aquisição. “Ela não é apenas um animal, uma besta burra.”
Antônio ergue uma sobrancelha. “Pelo contrário – não acho que ela seja burra de forma alguma. Olhe para ela.” Antônio faz um gesto em direção à gladiadora. “Sim, ela é toda músculos, velocidade e habilidade, mas é pequena. Não chega nem à metade do tamanho do seu capitão, Pullo. E ainda assim, em um duelo, eu não hesitaria em apostar nela. Para sobreviver tanto tempo nas condições em que ela esteve, você tem que ser muito esperta. Mesmo assim…” Ele pausa, e ela detecta – para sua enorme surpresa – um traço de nostalgia em seu suspiro.
“O quê?”
“Ninguém dura para sempre na arena.”
[1] As hetairas, na sociedade da Grécia Antiga, eram prostitutas refinadas, que, além da prestação de serviços sexuais, ofereciam companhia e sabedoria, frequentemente tinham relacionamentos duradouros com seus clientes, diferenciavam-se das prostitutas comuns (pornoi) da época, pois além do prazer carnal, ofereciam prazer cultural para seus companheiros, tendo casos com os homens que as procuravam.
[2] NR: Espada curta de dois gumes, usada principalmente pelos legionários romanos. Era um grande símbolo do Império Romano.