Fanfics sobre Xena a Princesa Guerreira

    Algumas horas de caminhada haviam se passado. Ayleen sentia seus pés arderem dentro das botas de couro, com o cansaço e o frio de gelar os ossos, mas não sentia-se em posição  de reclamar pois sabia que Imogene provavelmente estava mais desconfortável e mais cansada que ela própria.  Aos poucos a paisagem foi mudando e ela conseguia reconhecer os cenários que lhe eram familiares: Glastonbury estava perto e isso significava ao menos ter algumas respostas.

    Imogene parou de repente a caminhada, deu um longo suspiro e passou por Ayleen, acariciando levemente seu ombro por um breve momento. Depois, dirigiu-se ao cavalo e segurando o pescoço de Agur, ergueu sua cabeça para encontrá-lo num estado de semi-embriaguez.

    -Sabe de uma coisa – começou olhando nos olhos embaçados do homem. –  Eu me cansei de você. Carregar um saco de estrume sem ter certeza se ele servirá para eu colher algo só me traz desconforto. E isso me dá duas opções, ou eu consigo extrair alguma utilidade agora, ou eu te executo e talvez isso não resolva todos os meus problemas, mas resolverá alguns e será bastante satisfatório. O que vai ser, Agur?

    -O que você quer de mim? – indagou o prisioneiro com uma voz rouca e um pouco arfante.

    -Bae. E é melhor que ele esteja bem.

    -E por que eu te entregaria essa informação?

    -Porque senão, eu te amarro na primeira árvore à vista e deixo Ayleen cravar uma flecha no meio da sua garganta. E acredite, ela está com uma pontaria muito boa.

    -E como você saberá se estou falando a verdade?

    Imogene suspirou profundamente, cada vez mais cansada, irritada e sem paciência.

    -Pelo brilho em seus pequenos olhos honrados – respondeu com a voz cheia de ironia.

    -Torre ao leste da entrada do bosque Blackwoods.- disse por fim após ponderar por alguns segundos – É o lugar mais provável que meus homens os tenham levado – resmungou vendo um sorriso surgir no canto da boca de Imogene.

    -Isso torna tudo mais fácil. Agora volte dormir – disse, lhe golpeando a cabeça forte o suficiente para mandá-lo novamente para o mundo dos sonhos. As mulheres apertaram o passo da caminhada chegando a Glastonbury quando os últimos raios de luz solar se despediam. Ao entrar no condado já foi possível perceber que havia algo acontecendo, fumaça densa se misturava à bruma típica, carruagens apressadas, gritos e barulho de metal. Conforme avançavam, ficava evidente que uma batalha estava em curso e os olhos atentos de Ayleen notaram que em lados opostos estavam os homens com o brasão de Agur e uma infantaria romana de proporção média.

    -Bom, isso foi rápido – disse a loira com as mãos na cintura.

    Ambas continuaram andando rapidamente com Agur preso ao cavalo e se apressaram para achar a torre perto do bosque, desviando-se das lutas, das carruagens e do bater de espadas, pois aquela batalha afinal não era delas.

    Finalmente diante da fortificação, Imogene nocauteou o par de guardas que restava cuidando do local e seu coração se encheu de alívio quando ao passar pelas celas viu vários rostos conhecidos. Rapidamente arrebentou os cadeados soltando todos, mas sem deixar de dar um longo abraço em Baelish e Muirne.

    -Como você conseguiu nos achar? – perguntou o homem. Sua feição era exausta, barba por fazer, roupas bastante sujas e um olho extremamente machucado. – E em nome dos espíritos, o que está acontecendo aí fora.

    -Um massacre programado. O resto eu explico depois. Não temos muito tempo – disse Imogene jogando Agur ainda amarrado dentro de uma cela e largando-o á própria sorte.

    Em meio a todo o caos, não foi difícil o grupo recém formado encontrar uma meia dúzia de cavalos cujos donos haviam caído na batalha. Desviando-se das chamas, do sangue que escorria pelo chão e dos pequenos grupos cujas espadas cantavam, cavalgaram furiosamente bosque adentro, em direção ao que restava das cabanas dos druidas.

    —-

    Bae se recuperava de um acesso de tosse após tomar um grande gole de vinho e mais uma vez não conter as gargalhadas. Havia um grande curativo improvisado com cataplasma de ervas em seu olho e em mais uma dúzia de lugares, assim como os demais integrantes do grupo também haviam recebido os cuidados básicos para os horrores que haviam sofrido nas últimas semanas.

    -Vocês duas… Vocês duas são verdadeiramente perversas. Quer dizer que vocês não apenas conseguiram a façanha de fazer Agur molhar as calças de medo, mas além disso, causaram diarreia explosiva em grande parte do exército dele, adulteraram uma mensagem com o selo e assinatura dele, criando uma mensagem de declaração de guerra do que restava do exército dele contra os romanos? Vocês efetivamente colocaram os dois aliados um contra o outro e fizeram ambos os exércitos praticamente se aniquilarem?

    -Parecia o mais lógico. Nossos aliados já sofreram baixas demais. Quando os romanos leram a mensagem e entenderam que o acordo de venda de escravos estava cancelado porque Agur pretendia “expandir seus territórios anexando partes de Roma”, ou foram burros demais ou ingênuos demais para acreditar e se enfureceram.

    -E como vocês nos encontraram? Pelos deuses, eu nem mesmo sabia se vocês estavam vivas. – indagou Muirne.

    -Nós também não tínhamos certeza de que encontraríamos alguém vivo. Mas quando eu fui à Portland entregar a suposta mensagem de Agur para a legião romana que se encontrava lá, eu escutei rumores de que o exército dele estava em Glastonbury. Enquanto Agur era nosso cativo, após uma boa prensa, ele revelou que o lugar mais lógico para estarem lhe mantendo prisioneiros era Glastonbury, então com essa dupla confirmação, mas pareceu uma boa chance. No final das contas, parece que os favores dos deuses estavam ao nosso lado.

    -E agora?

    -Agora é reconstruir o que foi destruído.

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