Fanfics sobre Xena a Princesa Guerreira

    As semanas seguintes foram de trabalho intenso, atendendo e recuperado os feridos,  reestruturando organizações internas,  inúmeras reuniões com diferentes guildas e pura e simples reconstrução, de casas, de comércios,  de salões, enfim, do rastro de destruição que Agur havia deixado. Mas a destruição não havia sido apenas física. Havia o trauma, a quebra de confiança, o luto e o abalo emocional de condados inteiros. Tijolos eram fáceis de se reempilhar, emoções no entanto, eram muito mais complexas.

    A resistência espalhou-se pelos condados com seus membros não apenas retomando suas vidas, mas também engajados na missão de auxiliarem a população a retomar as suas. Levando ajuda aos orfãos e viúvas, às mães que tiveram seus filhos roubados pelo exército, era um trabalho lento e gradual, mas necessário.

    Imogene se reestabeleceu em Devonshire, tomando junto de Ayleen e Baelish a liderança das ações necessárias para reestabelecer a paz e a ordem não apenas em Devon, mas nos outros condados afetados pela empreitada de terror de Agur. O ouro saqueado foi redistribuído, curandeiros e apotecários foram mobilizados para tratar os feridos e uma grande frente focada em produção de alimentos foi estabelecida.

    Imogene estava sentada na ponta da mesa de reuniões no salão do conselho. Sua cabeça estava abaixada e as mãos cruzadas atrás da nuca. Levantou o olhar devagar e preguiçosamente esfregou os olhos.

    -Exausta, não? – perguntou Ayleen que estava ao seu lado.

    -Em todos os cantos e em todos os momentos temos uma nova fogueira a apagar. Não apenas aqui, mas agora precisamos resolver os problemas de três condados diferentes e mais uma dúzia de outros problemas dos arredores. Não entendo por que as pessoas estão recorrendo à mim para tudo isso.

    -Porque você é filha do Lord Callaghan. Porque é justa, corajosa e porque foi quem conseguiu a façanha de chutar Agur pra fora do trono.

    -Esse crédito é compartilhado – riu brevemente – O engraçado é que desde criança foi o que eu almejei, cuidar do condado do meu pai. Mas agora, a sensação de estar a frente de tudo… não encaixa.

    -Sem muito espaço  pra se divertir, não? -riu Ayleen.

    Bae entrou no salão e fez uma breve saudação para as duas mulheres antes de largar seu corpo cansado em uma das pesadas cadeiras de madeira. Ele usava um tapa olho que lhe cobria o que um dia foi seu olho esquerdo.

    -Glastonbury e a Cornualha responderam positivamente à taxa de impostos que propusemos. É baixa o suficiente para que lhes sobre ouro para se reestruturar, mas é o suficiente para termos recursos para redistribuir entre os três condados. As guildas no entanto não chegaram à conclusão nenhuma sobre um novo líder. Parece que todos preferem que você tome as rédeas.

    -O que eu fiz para enfurecer os deuses? – perguntou Imogene derrubando a cabeça na mesa novamente.

    -No fundo acho que todos temem que Agur acabe voltando, por isso se sentem mais seguros com você tomando a frente para impedí-lo. – pontuou Ayleen.

    -Essa possibilidade é remota demais. Ele provavelmente está morto agora ou reduzido ao esquecimento. – resmungou Imogene sem levantar a cabeça.

    -Também tem os romanos… – continuou Bae.

    -Que estão em queda. Sem recursos para continuar expandido, e com muitas baixas. – justificou Gene ainda resmungando.

    -Então no fundo acho que as pessoas apenas gostam de você.

    -Que perspectiva terrível. – suspirou.

    -De um povo que era averso à ideia de ter uma mulher no poder a um povo que aprendeu a te respeitar e amar, é um longo caminho – disse Baelish rindo da expressão exasperada no rosto da amiga.

    – Lutei o tempo todo para não ser uma donzela decorativa fechada num palácio enquanto um marido governa, mas hoje estou fechada num palácio tendo que lidar com as burocracias, com as demandas do povo, das guildas e até dos religiosos que resolveram sair da toca após a queda de Agur. Sabendo que lá fora eu poderia estar fazendo muito mais.

    -E por que não faz?- perguntou Ayleen após alguns momentos pensativos. – Seus anos mais felizes foram quando você estava lá fora, rodando o mundo.

    -Exceto pela falta que eu sentia de você. – murmurou. – Mas tudo mudou agora. Eu não posso largar tudo para trás, um povo sem líder seria uma presa fácil.

    -Agur havia de certa forma largado tudo para trás, mas com outro propósito. E deixou um ótimo regente no lugar – disse a loira, sinalizando o olhar para Bae, fazendo com que Imogene voltasse o olhar pra ele também.

    -Ah não. – disse Bae, com um traço de pânico nos seus olhos.

     

     

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