Capítulo 29
por Officer KirammanOs dias ficavam ligeiramente mais longos e menos gélidos conforme o final do inverno se aproximava, e com isso o processo de reconstrução – física e moral- avançava mais rápido. Baelish gradualmente ia tomando a frente de cada vez mais decisões e aparecendo em público como líder, o que estava ajudando na aceitação que faltava por parte do público. Imogene fazia questão de afirmar que tudo isso era devido ao comprometimento dele para com o povo e pelo seu pulso firme, embora ele próprio brincasse frequentemente que tudo se devia ao fato de que ser um rei fortão e com um tapa olho agradava ao público feminino. Obviamente tal afirmação era recebida sempre com um olhar enfastiado da parte de Ayleen e Imogene.
Rana, assim como Alderick e mais alguns outros aldeões, ganhou uma posição de conselheira e passou a participar ativamente das reuniões sobre decisões importantes do condado. A participação mais direta dos principais interessados no bem estar geral, o povo, fez com que a população em geral tenha ficado mais satisfeita, aumentando o sentimento de confiança em Baelish. É claro que desafios ainda surgiam diariamente, pois além de Devonshire, agora também era necessário liderar a Cornualha e Glastonbury, cujos senhores anteriores haviam sido assassinados por Agur. O sentimento de insegurança desses dois condados era constante, sabendo o quão fácil era perecer diante de um déspota com sede de ouro e sangue, depois do que havia acontecido e por isso os conselhos locais desses condados se mostravam reticentes em apontar um novo Senhor, temendo que o mesmo não tivesse o pulso de ferro necessário para garantir a segurança de seus povos.
Ainda assim, a necessidade de governantes mais localizados crescia conforme as demandas assumidas por Bae se intensificavam e se tornava mais difícil dar conta de tudo.
-Sinto que vou enlouquecer, Gen – disse o senhor de Devon do seu lugar na ponta da mesa – Não podemos obrigar Glastonbury e a Cornualha a apontarem uma liderança própria, mas largá-los sem amparo seria cruel. Ao mesmo tempo eu não consigo deixar todas as minhas obrigações de lado e sair daqui para conversar com os conselhos desses lugares pessoalmente para tentar resolver isso.
-Eu não vou fazer isso por você, Bae – disse Imogene – Não porque eu não queira, mas porque se eu fizer, as pessoas vão continuar ligando a minha imagem à liderança, e não é disso que precisamos.
-Acaba de me ocorrer uma ideia brilhante. Você governa a Cornualha e Ayleen governa Glastonbury, e magicamente todos os meus problemas são resolvidos. – sugeriu Bae tentando parecer sério.
-Nem tente – rosnou Imogene. – No entanto, Ayleen sugeriu algo interessante recentemente. Com a chegada da primavera, uma grande festa que reunisse os três condados para celebrar o equinócio poderia reunir algumas pessoas importantes e apaziguar algumas questões. Seria uma ótima oportunidade de reunir os conselheiros dos três condados para estabelecer alguns princípios, alianças e quem sabe, achar a pessoa certa pra assumir o poder por lá.
-Talvez seja isso que todos precisem – suspirou Bae – Um pouco de diversão e senso de normalidade pra retomar suas vidas.
-Envie uma ave com o convite aos conselhos. A comunidade druida adora uma festa, devem nos ajudar com os preparos. Vamos reunir um grande banquete, com assados, vinho, doces e frutas. E jogos para todos se divertirem. As pessoas passaram por muitas privações, o senso de fartura pode trazer a segurança que eles precisam sentir para se encorajarem a tomar as rédeas das próprias aldeias. E claro, seria a oportunidade perfeita para você conversar com as pessoas influentes de cada território para quem sabe chegarem num consenso sobre a liderança, baseada numa tríplice aliança que fortaleceria a todos os três e evitaria invasões ou influências externas. Acredito que Muirne deva ter muito a dizer, com sua sabedoria. O tempo que vocês compartilharam juntos na adversidade deve contar para algo também.
-Você é quem deveria estar sentada nesse lugar – resmungou Bae.
-Acontece, meu amigo, que eu sou uma conselheira e quem sabe soldado, muito melhor do que sou uma governante – riu Imogene. – E logo após a festa, eu e Ayleen partiremos.
-E me abandonarão à minha própria sorte, largado e sozinho nesse trono frio.
-Deixe de drama, Bae. Nós estaremos por perto, quando você precisar de nós. Mas você também estará rodeado de pessoas boas que querem o bem comum. O tempo difícil que Agur nos impôs nos mostrou alguns aliados inesperados, mas muito bem vindos.
-No fim, tudo dará certo né? – disse Bae,num tom de quem esperava uma confirmação real do fato. – Vá ser feliz, Gen.
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